SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022
Paciente do sexo feminino, 27 anos, com vida sexual ativa, usuária de DIU de cobre, apresenta dor pélvica aguda, intensa, história de dispareunia há cerca de 5 dias. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, lúcida, orientada, eupneica, abdome flácido, doloroso à palpação em hipogástrio, toque doloroso à mobilização do colo uterino e anexial. Ao exame especular: leucorréia amarelada, oriunda do orifício externo do colo uterino. A conduta mais adequada é:
DIP com DIU: iniciar ATB (Ceftriaxona + Doxiciclina + Metronidazol); remoção do DIU após 48-72h de ATB, se não houver melhora ou se for grave.
Em casos de DIP em usuárias de DIU, o tratamento antibiótico deve ser iniciado imediatamente com um esquema abrangente. A remoção do DIU não é a conduta inicial padrão, sendo geralmente postergada para após as primeiras doses de antibiótico ou se não houver resposta clínica, para evitar bacteremia.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição comum, especialmente em mulheres jovens e sexualmente ativas, e representa uma importante causa de morbidade, incluindo infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. A presença de um DIU, especialmente nos primeiros 20 dias após a inserção, aumenta ligeiramente o risco de DIP, mas o DIU de cobre não é um fator de risco independente a longo prazo. A fisiopatologia da DIP geralmente envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino (principalmente Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae) para o trato genital superior. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na tríade de dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor anexial. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco e sintomas compatíveis, como leucorreia amarelada e dispareunia. Exames complementares como ultrassonografia pélvica e testes para ISTs são úteis. O tratamento da DIP é essencialmente antibiótico, visando cobrir os principais patógenos. O esquema ambulatorial padrão inclui ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol. A internação é indicada para casos graves, gestantes, imunocomprometidas, falha do tratamento ambulatorial ou quando há suspeita de abscesso tubo-ovariano. A remoção do DIU em pacientes com DIP é controversa, mas a maioria das diretrizes recomenda manter o DIU e iniciar o tratamento antibiótico, removendo-o apenas se não houver melhora em 48-72 horas ou se a infecção for grave, para evitar a disseminação bacteriana durante a remoção.
O diagnóstico de DIP é clínico e baseia-se na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino, dor à palpação anexial e leucorreia. Critérios adicionais como febre, VHS/PCR elevados e evidência laboratorial de infecção por clamídia ou gonorreia podem apoiar o diagnóstico.
O esquema ambulatorial mais comum para DIP inclui Ceftriaxona 250 mg IM dose única, Doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 14 dias, e Metronidazol 500 mg VO 12/12h por 14 dias. Este esquema oferece cobertura para os principais patógenos envolvidos, incluindo gonococos, clamídias e anaeróbios.
A remoção do DIU em caso de DIP deve ser avaliada individualmente. Geralmente, o DIU não é removido imediatamente, mas sim após 48-72 horas de antibioticoterapia, se não houver melhora clínica ou se a infecção for grave. A remoção precoce pode teoricamente aumentar o risco de bacteremia.
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