Santa Casa de Barra Mansa (RJ) — Prova 2021
A.M., 22 anos de idade, nuligesta, com dor em hipogástrio há três dias, corrimento vaginal opaco e dor à mobilização do colo ao toque. Em uso de DIU há dois meses. Última menstruação há uma semana. Tem beta-hCG negativo e USG transvaginal sem alterações. Iniciou ceftriaxona e doxiciclina retornando após três dias, com febre (38,SºC) e sem melhora da dor. Nova USG sem alterações. Qual a melhor conduta a ser tomada?
DIP + DIU + falha terapêutica inicial → Retirar o DIU para otimizar tratamento e prevenir recorrência.
Em casos de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) em usuárias de DIU que não respondem ao tratamento antibiótico inicial, a retirada do DIU é uma conduta essencial. O DIU pode atuar como um corpo estranho que dificulta a erradicação da infecção, e sua remoção melhora a resposta terapêutica.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma causa comum de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O uso de DIU, especialmente nos primeiros meses após a inserção, pode aumentar o risco de DIP, embora o risco geral seja baixo. O diagnóstico de DIP é principalmente clínico, baseado na presença de dor em hipogástrio, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. Exames complementares como beta-hCG negativo e ultrassonografia transvaginal sem alterações são importantes para excluir outras causas de dor pélvica. O tratamento inicial é empírico com antibióticos de amplo espectro. No caso apresentado, a paciente não respondeu ao tratamento inicial com ceftriaxona e doxiciclina e persistiu com febre e dor. Em usuárias de DIU com DIP que não melhoram com o tratamento antibiótico, a retirada do DIU é a conduta mais apropriada. O DIU pode atuar como um corpo estranho que impede a erradicação da infecção, e sua remoção é crucial para o sucesso terapêutico e prevenção de complicações como abscesso tubo-ovariano.
Os critérios mínimos para DIP incluem dor em hipogástrio, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. Critérios adicionais podem ser febre, corrimento vaginal purulento, leucocitose e elevação de PCR/VHS.
O tratamento inicial para DIP geralmente envolve um regime antibiótico de amplo espectro, como ceftriaxona associada a doxiciclina, para cobrir os principais patógenos como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, além de anaeróbios.
Em casos de DIP que não respondem ao tratamento antibiótico inicial, o DIU deve ser retirado porque ele pode servir como um nicho para bactérias, dificultando a erradicação da infecção e aumentando o risco de complicações e recorrência.
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