Doença Inflamatória Pélvica Aguda: Diagnóstico e Sinais

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 25 anos de idade vai ao pronto-socorro com dor pélvica intensa que se iniciou há 2 dias. Nega comorbidades. Utiliza, como método contraceptivo, preservativo masculino, embora faça uso irregular. Sua última menstruação ocorreu há 15 dias. Encontra-se em regular estado geral, febril (39 ºC), normotensa. Ao exame físico, observam-se sinais de irritação peritoneal em toda região pélvica. Há conteúdo vaginal aumentado, amarelado, de odor desagradável. Ao toque, não foi possível avaliar os órgãos pélvicos por intensa dor ao tentar palpar o útero. A ultrassonografia pélvica mostra útero normal, ovário direito com imagem anecoica de 10mm e ovário esquerdo normal. Com base nesses dados, suspeita-se de

Alternativas

  1. A) apendicite aguda.
  2. B) endometriose pélvica.
  3. C) gravidez ectópica íntegra.
  4. D) doença inflamatória pélvica aguda.
  5. E) abscesso tubovariano.

Pérola Clínica

Mulher jovem, dor pélvica, febre, corrimento purulento, dor à mobilização colo → DIP aguda.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor pélvica intensa, febre, corrimento vaginal purulento e sinais de irritação peritoneal em uma mulher jovem com fatores de risco (uso irregular de preservativo) é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) aguda. A dor intensa à palpação uterina e anexial, mesmo sem achados ultrassonográficos dramáticos, reforça a suspeita.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) aguda é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver o útero (endometrite), as tubas uterinas (salpingite) e os ovários (ooforite), podendo progredir para peritonite pélvica. É uma condição comum em mulheres jovens sexualmente ativas, sendo uma das principais causas de dor pélvica aguda e infertilidade. A etiologia mais comum são as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. O diagnóstico da DIP é essencialmente clínico, baseado em uma combinação de sintomas e achados ao exame físico. Os critérios mínimos incluem dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais que aumentam a especificidade do diagnóstico incluem febre (>38,3°C), corrimento vaginal ou cervical purulento, aumento de VHS ou PCR, e evidência laboratorial de infecção por gonorreia ou clamídia. A ultrassonografia pélvica pode ser normal nos estágios iniciais ou mostrar sinais de endometrite, salpingite ou abscesso tubovariano em casos mais avançados. O tratamento da DIP é empírico e deve ser iniciado precocemente para prevenir complicações graves como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. A conduta envolve antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo os principais patógenos. Para residentes, é crucial ter alta suspeição de DIP em mulheres jovens com dor pélvica e fatores de risco, realizando um exame físico completo e iniciando o tratamento adequado sem demora.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para DIP aguda?

Os critérios mínimos incluem dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, corrimento purulento, leucocitose e aumento de PCR/VHS reforçam o diagnóstico.

Quais são os fatores de risco para desenvolver DIP?

Fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, uso irregular de preservativo, histórico de DIP, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) prévias e idade jovem.

Como diferenciar DIP de apendicite aguda?

Embora ambas possam causar dor pélvica, a DIP geralmente apresenta sintomas ginecológicos como corrimento vaginal, dor à mobilização do colo e dor anexial bilateral, enquanto a apendicite é mais localizada na fossa ilíaca direita e sem achados ginecológicos específicos.

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