Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Fatores de Risco

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 38 anos chega à UPA com queixa de dor em baixo ventre e corrimento com início há 2 meses; usou cetoprofeno e metronidazol há 1 mês com melhora dos sintomas, porém relata retorno dos sintomas há 2 dias. Tem vida sexual ativa, usa DIU como método contraceptivo. De sintomas associados, relata corrimento com odor e dispareunia de profundidade e que começou há 2 meses a ter sangramento semanal de pequena quantidade, data da última menstruação há 13 dias. No exame especular, você identifica conteúdo vaginal aumentado amarelado com odor, no toque vaginal, a paciente relata dor à mobilização uterina e anexo direito palpado e doloroso ao toque. Baseado na história clínica e exame físico, qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Doença Inflamatória Pélvica.
  2. B) Cisto folicular em anexo direito.
  3. C) Endometrioma em ovário direito.
  4. D) Dor ovulatória.
  5. E) Vaginose Bacteriana.

Pérola Clínica

Dor pélvica, corrimento com odor, dispareunia, sangramento irregular + dor à mobilização uterina/anexial + DIU = DIP até prova em contrário.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é o diagnóstico mais provável para uma paciente com dor pélvica, corrimento, dispareunia, sangramento irregular e, crucialmente, dor à mobilização do colo uterino e anexial, especialmente na presença de um DIU, que é um fator de risco.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, resultando em inflamação do útero (endometrite), tubas uterinas (salpingite), ovários (ooforite) e estruturas adjacentes. É uma condição comum na prática ginecológica e uma das principais causas de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O diagnóstico da DIP é essencialmente clínico, baseado na presença de dor pélvica de início recente, associada a dor à mobilização do colo uterino e/ou dor anexial ao exame físico. Fatores de risco como múltiplos parceiros sexuais, história prévia de ISTs e o uso de DIU (especialmente nos primeiros meses após a inserção) devem ser considerados. A paciente do caso apresenta um quadro clássico, com dor em baixo ventre, corrimento com odor, dispareunia de profundidade, sangramento irregular e achados de dor à mobilização uterina e anexial. O tratamento da DIP é empírico, com antibióticos de amplo espectro que cubram os principais patógenos. O manejo precoce e adequado é crucial para prevenir as sequelas a longo prazo. A diferenciação de outras causas de dor pélvica é importante, mas a combinação de sintomas e sinais clínicos na paciente sugere fortemente a DIP.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos para o diagnóstico clínico de DIP incluem dor à palpação abdominal em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais podem ser febre, corrimento purulento, leucocitose e aumento de PCR/VHS.

Como o uso de DIU se relaciona com o risco de Doença Inflamatória Pélvica?

O DIU é um fator de risco para DIP, principalmente nos primeiros 20 dias após a inserção, devido à possível introdução de bactérias na cavidade uterina. Após esse período inicial, o risco de DIP em usuárias de DIU é baixo e comparável ao de mulheres que não usam DIU.

Quais são os principais agentes etiológicos da Doença Inflamatória Pélvica?

A DIP é frequentemente polimicrobiana, mas os principais agentes etiológicos são bactérias sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, que ascendem do trato genital inferior.

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