IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Paciente de 23 anos, dá entrada no PS de Ginecologia com quadro de dor em baixo ventre de forte intensidade associada a um pico febril de 38,5˚ hoje. Última menstruação há 2 semanas, não utiliza método anticoncepcional no momento, vida sexual ativa. Sinais vitais normais na admissão, ao exame físico apresenta no toque bimanual dor à mobilização de colo uterino e ao especular cervicite mucopurulenta. USG transvaginal assim como exames laboratoriais realizados não mostraram alterações significativas, exceto leucocitúria de 30.000 na urina tipo 1. Qual a principal hipótese diagnóstica e a melhor conduta nesse caso?
Dor pélvica + febre + cervicite mucopurulenta + dor à mobilização do colo → DIP (endometrite aguda). Tratamento: Ceftriaxone + Doxiciclina.
O quadro clínico da paciente, com dor pélvica, febre, cervicite mucopurulenta e dor à mobilização do colo, é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), especificamente endometrite aguda. O tratamento ambulatorial padrão inclui ceftriaxone e doxiciclina.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. É uma condição comum em mulheres jovens sexualmente ativas e, se não tratada, pode levar a complicações graves como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado em sintomas como dor pélvica, febre, corrimento vaginal e achados ao exame físico, como dor à mobilização do colo uterino e dor anexial. Exames complementares como ultrassonografia e exames laboratoriais podem auxiliar, mas não são mandatórios para o diagnóstico inicial e podem ser normais em fases precoces. A leucocitúria pode ser um achado inespecífico. O tratamento deve ser iniciado empiricamente o mais rápido possível para cobrir os principais patógenos. O esquema ambulatorial padrão inclui uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxone) para gonorreia e doxiciclina para clamídia e outros anaeróbios/aeróbios. A reavaliação é crucial para monitorar a resposta ao tratamento e identificar a necessidade de internação ou mudança de esquema.
Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, leucocitose, VHS/PCR elevados e cervicite mucopurulenta aumentam a probabilidade.
O esquema ambulatorial mais comum inclui uma dose única intramuscular de ceftriaxone (250 mg) para cobrir gonorreia, associada a doxiciclina (100 mg via oral, 2x/dia por 14 dias) para cobrir clamídia e outros patógenos.
A internação é indicada em casos de DIP grave, falha do tratamento ambulatorial, gestação, suspeita de abscesso tubo-ovariano, imunodeficiência ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.
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