Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Manejo

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023

Enunciado

ALS, 20 anos, deu entrada no hospital com quadro de dor abdominal. Quadro iniciado há 1 semana. DUM: há 8 dias. MAC: pílula. Ao exame físico, corada, apirética, normotensa, abdome doloroso, descompressão brusca negativa, colo uterino com hiperemia e secreção turva e, ao toque, útero doloroso à mobilização, anexos não palpáveis. Assinale a alternativa mais adequada ao caso:

Alternativas

  1. A) Cervicite com indicação de antibioticoterapia domiciliar.
  2. B) Doença inflamatória pélvica com indicação de internação.
  3. C) Doença inflamatória pélvica com indicação de antibioticoterapia domiciliar.
  4. D) Cisto anexial, indicação de USTV.
  5. E) Cervicite com indicação de internação

Pérola Clínica

Dor abdominal + dor à mobilização do colo + secreção cervical → DIP. Sem critérios de internação, tratar ambulatorial.

Resumo-Chave

A paciente apresenta os critérios mínimos para diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) (dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo e dor anexial - inferida pela dor à mobilização uterina e ausência de outros achados). Como não há critérios de gravidade (febre alta, abscesso, falha terapêutica oral, imunodeficiência, gravidez), o tratamento ambulatorial com antibioticoterapia é o mais adequado.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que resulta da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, causando inflamação do útero, tubas uterinas, ovários e estruturas adjacentes. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, sendo uma das principais causas de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em critérios mínimos e adicionais. Os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP incluem dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. No caso apresentado, a paciente tem dor abdominal, colo hiperemiado com secreção turva e útero doloroso à mobilização, o que preenche os critérios para DIP. A ausência de febre alta, abscesso ou outros sinais de gravidade indica que o tratamento ambulatorial é apropriado. O tratamento da DIP é empírico e visa cobrir os principais patógenos envolvidos, como Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e bactérias anaeróbias. A antibioticoterapia deve ser iniciada o mais rápido possível para prevenir sequelas. A escolha entre tratamento ambulatorial e internação depende da gravidade do quadro e da presença de critérios de internação, que não foram observados nesta paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios mínimos para o diagnóstico clínico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal no baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial (ou dor uterina à mobilização). A presença de secreção cervical purulenta ou hiperemia do colo reforça o diagnóstico.

Quais são os critérios para internação hospitalar em casos de DIP?

Os critérios para internação incluem gravidez, ausência de resposta à antibioticoterapia oral, incapacidade de tolerar medicação oral, DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, abscesso tubo-ovariano), imunodeficiência, ou incerteza diagnóstica com suspeita de emergência cirúrgica.

Qual o esquema de antibioticoterapia ambulatorial recomendado para DIP?

Um esquema comum inclui Ceftriaxona 500 mg IM em dose única (para gonorreia) + Doxiciclina 100 mg VO 2x/dia por 14 dias (para clamídia e outros) + Metronidazol 500 mg VO 2x/dia por 14 dias (para anaeróbios e vaginose bacteriana).

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