DIP e DIU: Diagnóstico e Manejo da Infecção por Actinomyces

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 30 anos deu entrada no Pronto Atendimento da Maternidade, com queixa de dor abdominal e corrimento vaginal. Nega febre, doenças, uso regular de medicações ou cirurgias. Data da última menstruação há 10 dias e faz uso do DIU de cobre como método contraceptivo. Ao ser examinada, foi observado secreção amarelada em orifício externo do colo uterino e dor a mobilização do colo uterino. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a PRINCIPAL hipótese diagnóstica, patógeno mais associado e a conduta. 

Alternativas

  1. A) DIP III - Gonococos - Ceftriaxona e mantém o DIU.
  2. B) DIP II - Clamydia - Azitromicina ou Doxiciclina e mantém o DIU.
  3. C) DIP IV - M. Hominis - Metronidazol - retirar o DIU.
  4. D) DIP I - Actynomyces israelii - retirar o DIU.

Pérola Clínica

DIP em usuária de DIU com Actinomyces israelii → retirar DIU e tratar.

Resumo-Chave

A presença de um DIU, especialmente o de cobre, aumenta o risco de infecção por Actinomyces israelii, que pode causar Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Nesses casos, a retirada do DIU é fundamental para o sucesso do tratamento, além da antibioticoterapia específica.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver útero, tubas uterinas e ovários. Em mulheres usuárias de DIU, a incidência de DIP é ligeiramente aumentada nos primeiros meses após a inserção, mas o risco a longo prazo é baixo. No entanto, o DIU, especialmente o de cobre, é um fator de risco conhecido para a colonização e infecção por Actinomyces israelii, uma bactéria anaeróbia. A apresentação clínica da DIP em usuárias de DIU pode variar, mas frequentemente inclui dor abdominal, corrimento vaginal e dor à mobilização do colo uterino. A presença de Actinomyces israelii em esfregaços cervicais de usuárias assintomáticas de DIU não exige tratamento ou retirada do DIU, mas em casos de DIP confirmada com suspeita ou identificação de Actinomyces, a conduta muda. Nesses casos, a retirada do DIU é crucial, pois o dispositivo atua como um corpo estranho e um sítio para biofilme, dificultando a erradicação da bactéria apenas com antibióticos. O tratamento antibiótico para Actinomyces geralmente envolve penicilinas ou clindamicina, por períodos prolongados, dependendo da gravidade da infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de DIP em usuárias de DIU?

Sinais incluem dor abdominal baixa, corrimento vaginal, dor à mobilização do colo uterino e, em casos mais graves, febre e mal-estar. A suspeita deve ser alta em usuárias de DIU com esses sintomas.

Por que o DIU de cobre aumenta o risco de infecção por Actinomyces israelii?

O DIU, especialmente o de cobre, pode servir como um nicho para a formação de biofilmes, favorecendo a colonização e proliferação de Actinomyces israelii, uma bactéria anaeróbia que pode causar infecção.

Qual a conduta inicial em caso de DIP associada a DIU?

A conduta inicial envolve antibioticoterapia empírica para DIP e, se houver suspeita ou confirmação de Actinomyces, a retirada do DIU é essencial para o sucesso do tratamento, pois o dispositivo pode abrigar a bactéria.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo