USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Paciente de 21 anos com dor abdominal em hipogástrio e fossas ilíacas há 2 dias, com piora progressiva e febre medida de 38°C. Ao exame ginecológico apresenta conteúdo vaginal acinzentado e bolhoso; ao toque vaginal apresenta dor à mobilização do colo uterino e aumento anexial direito de difícil caracterização em decorrência da dor. Inicia tratamento com ceftriaxone intramuscular e doxiciclina oral. Qual é o agente antimicrobiano que deve ser associado?
DIP com conteúdo vaginal acinzentado/bolhoso + dor anexial → associar Metronidazol para anaeróbios e tricomoníase.
O quadro clínico sugere Doença Inflamatória Pélvica (DIP) com possível componente de vaginose bacteriana ou tricomoníase (conteúdo vaginal acinzentado e bolhoso). O tratamento padrão para DIP com ceftriaxone e doxiciclina cobre gonorreia e clamídia, mas a associação com metronidazol é essencial para cobrir anaeróbios e Trichomonas vaginalis.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba infecções do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, ooforite e abscesso tubo-ovariano. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, sendo uma das principais causas de dor pélvica aguda. A etiologia é polimicrobiana, envolvendo frequentemente bactérias sexualmente transmissíveis como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de bactérias da flora vaginal, incluindo anaeróbios. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor anexial. Sinais como febre, secreção vaginal anormal (acinzentada e bolhosa, como descrito na questão, sugere vaginose bacteriana ou tricomoníase), e elevação de marcadores inflamatórios reforçam a suspeita. O tratamento empírico deve ser iniciado precocemente para prevenir sequelas a longo prazo, como infertilidade e dor pélvica crônica. O regime terapêutico para DIP geralmente inclui cobertura para gonorreia, clamídia e anaeróbios. A combinação de ceftriaxone (para gonorreia) e doxiciclina (para clamídia) é padrão. No entanto, a associação de metronidazol é crucial para garantir a cobertura de bactérias anaeróbias, que desempenham um papel significativo na patogênese da DIP, e também para tratar infecções concomitantes como a vaginose bacteriana e a tricomoníase, que podem agravar o quadro. A adesão ao tratamento completo é fundamental para a erradicação da infecção e prevenção de complicações.
Os critérios mínimos para DIP incluem dor à palpação abdominal em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, leucocitose e secreção vaginal purulenta aumentam a suspeita.
O Metronidazol é associado para cobrir bactérias anaeróbias, que são patógenos importantes na DIP, e também para tratar a tricomoníase e a vaginose bacteriana, condições frequentemente coexistentes e que podem contribuir para a infecção pélvica.
A DIP não tratada pode levar a complicações graves como abscesso tubo-ovariano, dor pélvica crônica, infertilidade por obstrução tubária e gravidez ectópica, ressaltando a importância do tratamento precoce e completo.
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