Doença Inflamatória Pélvica: Esquema Terapêutico para Casos Graves

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 21 anos G2 P2 A0 com relato de vários parceiros no último ano comparece ao Pronto Socorro referindo que teve o diagnóstico de doença inflamatória pélvica há 5 dias, tendo sido tratada com Cefalexina 500 mg VO 6/6h. Refere febre mal-estar geral. Exame físico, foi observado conteúdo vaginal acinzentado com mau odor e ao toque vaginal observou-se dor à mobilização do colo e à palpação do anexo esquerdo. Qual é o esquema terapêutico indicado para esse caso?

Alternativas

  1. A) Doxiciclina 100 mg, VO, de 12/12 horas por 14 dias.
  2. B) Cefalexina 500 mg, VO, 6/6h e gentamicina, IV, 3 mg/kg/dia
  3. C) Metronidazol 400 mg, IV, de 12/12 horas por 14 dias e azitromicina 1g, VO/ dia por 14 dias.
  4. D) Ceftriaxona 1 g, IV, uma vez ao dia, por 14 dias, doxiciclína 100 mg, VO, 12/12 h, por 14 dias e metronidazol 400 mg, IV, 12/12h por 14 dias.

Pérola Clínica

DIP grave ou falha terapêutica → esquema IV com Ceftriaxona + Doxiciclina + Metronidazol (cobertura polimicrobiana).

Resumo-Chave

O tratamento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) deve cobrir um amplo espectro de patógenos, incluindo Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e anaeróbios. Em casos de falha terapêutica inicial ou gravidade, a terapia intravenosa combinada é essencial para erradicar a infecção e prevenir sequelas.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica resultante da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica, sendo, portanto, uma condição de grande relevância na saúde da mulher. A DIP é frequentemente polimicrobiana, envolvendo patógenos sexualmente transmissíveis como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de bactérias anaeróbias e aeróbias da flora vaginal. O tratamento da DIP deve ser iniciado empiricamente e cobrir um amplo espectro de microrganismos. A escolha do esquema antibiótico depende da gravidade do quadro e da necessidade de internação. Em casos de falha terapêutica com regime ambulatorial (como o uso inadequado de Cefalexina, que não cobre os principais agentes da DIP) ou quando a paciente apresenta sinais de gravidade (febre, mal-estar, dor intensa, sinais de peritonite), a internação e o tratamento intravenoso são mandatórios. O esquema terapêutico recomendado para DIP grave ou com falha de tratamento ambulatorial geralmente inclui uma combinação de antibióticos para garantir cobertura contra gonococos, clamídias e anaeróbios. A Ceftriaxona (para gonococos), Doxiciclina (para clamídias e outros atípicos) e Metronidazol (para anaeróbios) é um regime eficaz e amplamente utilizado, administrado por um período de 14 dias para erradicar a infecção e minimizar as sequelas a longo prazo. Residentes devem dominar esses esquemas para um manejo adequado da DIP.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os principais agentes são bactérias sexualmente transmissíveis como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de microrganismos da flora vaginal, como anaeróbios, Mycoplasma hominis e Gardnerella vaginalis.

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada para pacientes com DIP grave (febre alta, dor intensa, abscesso tubo-ovariano), gestantes, pacientes imunocomprometidas, falha do tratamento ambulatorial ou quando o diagnóstico é incerto.

Qual a importância do Metronidazol no tratamento da DIP?

O Metronidazol é crucial no tratamento da DIP por sua excelente cobertura contra bactérias anaeróbias, que frequentemente estão envolvidas na patogênese da infecção, especialmente em casos de abscesso.

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