Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2024
Paciente de 21 anos G2 P2 A0 com relato de vários parceiros no último ano comparece ao Pronto Socorro referindo que teve o diagnóstico de doença inflamatória pélvica há 5 dias, tendo sido tratada com Cefalexina 500 mg VO 6/6h. Refere febre mal-estar geral. Exame físico, foi observado conteúdo vaginal acinzentado com mau odor e ao toque vaginal observou-se dor à mobilização do colo e à palpação do anexo esquerdo. Qual é o esquema terapêutico indicado para esse caso?
DIP grave ou falha terapêutica → esquema IV com Ceftriaxona + Doxiciclina + Metronidazol (cobertura polimicrobiana).
O tratamento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) deve cobrir um amplo espectro de patógenos, incluindo Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e anaeróbios. Em casos de falha terapêutica inicial ou gravidade, a terapia intravenosa combinada é essencial para erradicar a infecção e prevenir sequelas.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica resultante da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica, sendo, portanto, uma condição de grande relevância na saúde da mulher. A DIP é frequentemente polimicrobiana, envolvendo patógenos sexualmente transmissíveis como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de bactérias anaeróbias e aeróbias da flora vaginal. O tratamento da DIP deve ser iniciado empiricamente e cobrir um amplo espectro de microrganismos. A escolha do esquema antibiótico depende da gravidade do quadro e da necessidade de internação. Em casos de falha terapêutica com regime ambulatorial (como o uso inadequado de Cefalexina, que não cobre os principais agentes da DIP) ou quando a paciente apresenta sinais de gravidade (febre, mal-estar, dor intensa, sinais de peritonite), a internação e o tratamento intravenoso são mandatórios. O esquema terapêutico recomendado para DIP grave ou com falha de tratamento ambulatorial geralmente inclui uma combinação de antibióticos para garantir cobertura contra gonococos, clamídias e anaeróbios. A Ceftriaxona (para gonococos), Doxiciclina (para clamídias e outros atípicos) e Metronidazol (para anaeróbios) é um regime eficaz e amplamente utilizado, administrado por um período de 14 dias para erradicar a infecção e minimizar as sequelas a longo prazo. Residentes devem dominar esses esquemas para um manejo adequado da DIP.
Os principais agentes são bactérias sexualmente transmissíveis como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de microrganismos da flora vaginal, como anaeróbios, Mycoplasma hominis e Gardnerella vaginalis.
A internação é indicada para pacientes com DIP grave (febre alta, dor intensa, abscesso tubo-ovariano), gestantes, pacientes imunocomprometidas, falha do tratamento ambulatorial ou quando o diagnóstico é incerto.
O Metronidazol é crucial no tratamento da DIP por sua excelente cobertura contra bactérias anaeróbias, que frequentemente estão envolvidas na patogênese da infecção, especialmente em casos de abscesso.
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