Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Tratamento Empírico

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

 Mulher, 25 anos, refere dispareunia há 10 dias. Relatou dor abdominal e sensação de febre não mensurada em algumas ocasiões nesse último mês, além de secreção vaginal amarelada. Diante do quadro, o principal diagnóstico e o tratamento a ser realizado são

Alternativas

  1. A) Síndrome miofascial, iniciar relaxante muscular e fisioterapia. 
  2. B) Doença inflamatória pélvica, iniciar Ceftriaxona dose única e doxiciclina por 14 dias, podendo acrescentar metronidazol oral.
  3. C) Endometriose, iniciar dienogeste contínuo associado à antiinflamatórios não esteroidais nas crises de dor.
  4. D) Síndrome da Bexiga dolorosa, iniciar amitriptilina e fisioterapia. 
  5. E) Doença inflamatória intestinal, iniciar mesalazina.

Pérola Clínica

Dispareunia + dor pélvica + febre + secreção vaginal → DIP, tratar com Ceftriaxona + Doxiciclina (+ Metronidazol).

Resumo-Chave

O quadro clínico de dispareunia, dor abdominal baixa, sensação febril e secreção vaginal amarelada em uma mulher jovem é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). O tratamento empírico deve cobrir os principais agentes etiológicos, como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, com Ceftriaxona e Doxiciclina, podendo-se adicionar Metronidazol para anaeróbios.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino para o trato genital superior, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica em mulheres jovens. A idade da paciente (25 anos) e os sintomas (dispareunia, dor abdominal, sensação de febre, secreção vaginal amarelada) são altamente sugestivos de DIP. A fisiopatologia da DIP envolve principalmente infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), com Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis sendo os agentes etiológicos mais comuns. Outros microrganismos, incluindo bactérias anaeróbias e flora vaginal, também podem estar envolvidos. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios mínimos (dor à palpação abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial), e o tratamento deve ser iniciado empiricamente para prevenir sequelas. O tratamento da DIP é essencialmente antibiótico e deve cobrir um amplo espectro de patógenos. O esquema recomendado inclui Ceftriaxona (para gonorreia) em dose única, Doxiciclina (para clamídia e outros) por 14 dias, e Metronidazol (para anaeróbios e Gardnerella vaginalis) também por 14 dias, especialmente se houver suspeita de vaginose bacteriana concomitante ou abscesso tubo-ovariano. O tratamento precoce e adequado é crucial para minimizar as complicações a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais incluem febre, secreção vaginal ou cervical anormal, leucocitose e elevação de PCR/VHS.

Por que o tratamento da DIP inclui Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol?

Ceftriaxona cobre Neisseria gonorrhoeae, Doxiciclina cobre Chlamydia trachomatis e Metronidazol é adicionado para cobrir bactérias anaeróbias, que frequentemente estão envolvidas na patogênese da DIP.

Quais são as principais complicações da Doença Inflamatória Pélvica não tratada?

As complicações incluem infertilidade tubária, gravidez ectópica, dor pélvica crônica, abscesso tubo-ovariano e peritonite.

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