ICEPI - Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação (ES) — Prova 2020
Marina, 14 anos, apresenta dor abdominal inespecífica há 3 meses. Já se consultou com o clínico do posto, na urgência do hospital e realizou ultrassonografia de abdome total, sem obter maiores esclarecimentos. Como estava apresentando febre baixa há 2 dias, faltou a aula e resolveu tentar uma vaga no acolhimento de sua unidade de saúde. Na consulta com a enfermeira foram acrescidos dois sintomas à anamnese inicial: corrimento vaginal e dispareunia. Sobre as opções que melhor abordam a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), MARQUE A CORRETA:
DIP: Tratar parceiros sexuais com esquema completo (cefalosporina + doxiciclina) mesmo se assintomáticos.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis. O tratamento dos parceiros sexuais é fundamental para prevenir a reinfecção e a disseminação da doença, devendo ser feito com o mesmo esquema antibiótico da paciente, mesmo que assintomáticos.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, envolvendo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica em mulheres jovens. Os agentes etiológicos mais comuns são *Chlamydia trachomatis* e *Neisseria gonorrhoeae*, mas outras bactérias também podem estar envolvidas. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado em critérios mínimos (dor abdominal baixa, dor à palpação anexial, dor à mobilização do colo uterino) e critérios adicionais (febre, corrimento vaginal anormal, aumento de VHS/PCR, leucocitose). A ultrassonografia pode auxiliar na identificação de abscessos ou outras alterações. A história de dor abdominal inespecífica, febre baixa, corrimento e dispareunia em uma adolescente sexualmente ativa é altamente sugestiva. O tratamento da DIP é empírico e deve cobrir os principais patógenos. Geralmente envolve uma combinação de antibióticos, como cefalosporina (parenteral) e doxiciclina (oral), com ou sem metronidazol. É de extrema importância que os parceiros sexuais da paciente sejam rastreados e tratados com o mesmo esquema antibiótico, independentemente de apresentarem sintomas, para evitar a reinfecção e a disseminação da doença. A falha no tratamento ambulatorial ou a presença de complicações graves são indicações para internação hospitalar e antibioticoterapia intravenosa.
Os sintomas comuns incluem dor abdominal baixa, corrimento vaginal, dispareunia, febre baixa e dor à palpação anexial ou à mobilização do colo uterino, que devem levantar a suspeita diagnóstica.
O tratamento dos parceiros é crucial para interromper a cadeia de transmissão, prevenir a reinfecção da paciente e evitar complicações nos parceiros, mesmo que assintomáticos, sendo uma medida de saúde pública essencial.
A internação é indicada em casos de DIP grave, falha do tratamento ambulatorial, gestação, imunodeficiência, abscesso tubo-ovariano ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.
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