DIP Grave: Diagnóstico e Tratamento Hospitalar Essencial

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015

Enunciado

Mulher de 17 anos de idade foi a uma UPA apresentando febre de 38,8°C, vômito, dor pélvica intensa, com sinais claros de irritação peritoneal. Refere que tudo começou após relações sexuais, há poucos dias. Qual a conduta terapêutica mais adequada para esse problema?

Alternativas

  1. A) Tratamento hospitalar com abordagem cirúrgica imediata, Laparotomia exploradora.
  2. B) Tratamento ambulatorial com ceftriaxona 250mg, IM, dose única e doxiciclina 100mg VO 2 x dia, por 14 dias.
  3. C) Tratamento hospitalar com clindamicina, 900mg EV a cada 8 h e gentamicina 2mg/Kg seguida de 1,5mg/Kg a cada 8h.
  4. D) Tratamento ambulatorial com cefoxitina, 2g IM, doxiciclina100mg, VO 2 x dia, por 14 dias, e metronidazol 500mg 2x dia,VO, por 14 dias.

Pérola Clínica

DIP grave com irritação peritoneal → internação + Clindamicina EV + Gentamicina EV.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios de gravidade para Doença Inflamatória Pélvica (DIP), como febre alta, vômitos, dor pélvica intensa e irritação peritoneal, o que indica tratamento hospitalar. O esquema com clindamicina e gentamicina é uma opção eficaz para DIP grave, cobrindo um amplo espectro bacteriano, incluindo anaeróbios e gram-negativos.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das causas mais comuns de dor pélvica em mulheres jovens e sexualmente ativas. A DIP é uma condição polimicrobiana, frequentemente causada por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, mas também por bactérias entéricas e anaeróbias. O diagnóstico da DIP é principalmente clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. No entanto, a presença de sinais de gravidade como febre alta, vômitos, irritação peritoneal ou suspeita de abscesso tubo-ovariano exige internação hospitalar para tratamento intravenoso. A falha em tratar adequadamente a DIP pode levar a complicações sérias, como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. O tratamento da DIP varia conforme a gravidade. Casos leves podem ser tratados ambulatorialmente com antibióticos orais ou intramusculares. Para DIP grave, a terapia intravenosa é mandatória, com esquemas que cobrem um amplo espectro bacteriano, como a combinação de clindamicina e gentamicina. A escolha do regime antibiótico deve considerar a cobertura para gonococos, clamídias, anaeróbios e gram-negativos entéricos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade que indicam internação para DIP?

Sinais de gravidade para DIP incluem febre alta (>38°C), vômitos, dor pélvica intensa, irritação peritoneal, suspeita de abscesso tubo-ovariano, falha do tratamento ambulatorial e exclusão de outras emergências cirúrgicas.

Qual o esquema antibiótico recomendado para DIP grave hospitalar?

Para DIP grave que requer internação, um esquema comum é Clindamicina 900mg EV a cada 8h associada a Gentamicina (dose de ataque de 2mg/kg seguida de 1,5mg/kg a cada 8h), cobrindo anaeróbios e gram-negativos.

Por que a laparotomia exploradora não é a primeira conduta na DIP grave?

A laparotomia exploradora é reservada para casos de DIP com abscesso tubo-ovariano roto, falha do tratamento clínico ou quando não é possível excluir outras emergências cirúrgicas. O tratamento inicial é clínico com antibióticos EV.

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