Doença Inflamatória Pélvica: Etiologia e Diagnóstico Clínico

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021

Enunciado

Paciente procura a UBS com queixa de dor pélvica à esquerda, há 5 dias, tendo o quadro se iniciado após a menstruação. Refere ter tido febre há dois dias, mas nas últimas 24 horas está afebril. Refere relações sexuais sem preservativo e múltiplos parceiros. Ao exame: abdome doloroso à palpação em fossa ilíaca esquerda, sem sinais de peritonite. Especular: presença de secreção purulenta exteriorizando-se pelo orifício cervical externo. Toque: dor à palpação da região anexial esquerda, mas sem tumorações palpáveis. Os microrganismos mais implicados na etiologia do quadro clínico descrito são:

Alternativas

  1. A) Gardnerella vaginalis e Trichomonas vaginalis.
  2. B) Mycoplasma hominis e Treponema pallidum.
  3. C) Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.
  4. D) Haemophilus ducreyi e Candida albicans.

Pérola Clínica

Dor pélvica + secreção purulenta cervical + dor anexial + múltiplos parceiros → DIP, pensar em Chlamydia e Gonorreia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor pélvica, secreção purulenta cervical e dor anexial em paciente com múltiplos parceiros e histórico de relações sexuais sem preservativo é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Os principais agentes etiológicos são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários, podendo se estender ao peritônio pélvico. É uma das principais causas de morbidade ginecológica e uma complicação grave de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não tratadas. Fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, relações sexuais sem preservativo, histórico de ISTs e idade jovem. O quadro clínico clássico envolve dor pélvica ou abdominal baixa, geralmente bilateral, que pode ser acompanhada de febre, calafrios, náuseas, vômitos, dispareunia e sangramento uterino anormal. Ao exame físico, são encontrados dor à palpação anexial, dor à mobilização do colo uterino (sinal de Chadwick) e, frequentemente, secreção cervical purulenta. A ausência de sinais de peritonite não exclui o diagnóstico, especialmente em fases iniciais. Os microrganismos mais implicados na etiologia da DIP são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, responsáveis por grande parte dos casos. Outros patógenos como Mycoplasma genitalium, bactérias anaeróbias e flora vaginal endógena também podem estar envolvidos. O tratamento empírico deve ser iniciado precocemente para prevenir complicações graves como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica, cobrindo os principais agentes etiológicos com antibioticoterapia adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor abdominal baixa, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. Critérios adicionais como febre, secreção cervical purulenta e elevação de PCR/VHS aumentam a probabilidade.

Qual o tratamento empírico recomendado para DIP?

O tratamento empírico deve cobrir Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. Geralmente inclui Ceftriaxona intramuscular em dose única, associada a Doxiciclina oral por 14 dias, com ou sem Metronidazol.

Quais as principais complicações da DIP não tratada?

As complicações incluem dor pélvica crônica, infertilidade tubária, gravidez ectópica e formação de abscesso tubo-ovariano, que pode ser fatal se romper.

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