FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Mulher, 24 anos, sexualmente ativa, vem ao pronto atendimento com dor no abdome inferior há 2 dias. Nuligesta, sem atraso menstrual e usa contraceptivo oral regularmente. Nega disuria. Ao exame físico a paciente encontra-se com temperatura axilar 38,1 °C. Ao exame especular, apresenta conteúdo vaginal amarelado volumoso e, ao toque vaginal, dor a mobilização do colo uterino e palpação anexial. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta assertiva para o caso apresentado?
Mulher jovem, sexualmente ativa, dor pélvica, febre, corrimento mucopurulento, dor à mobilização do colo e anexial → DIP, tratar empiricamente com Ceftriaxona + Doxiciclina.
O quadro clínico de dor abdominal inferior, febre, corrimento vaginal mucopurulento, dor à mobilização do colo uterino e sensibilidade anexial em mulher jovem e sexualmente ativa é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que requer tratamento empírico imediato com antibióticos de amplo espectro.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba infecções do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, ooforite, parametrite e peritonite pélvica. É uma das causas mais comuns de dor pélvica aguda em mulheres jovens e sexualmente ativas, com sérias consequências a longo prazo, como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. A fisiopatologia da DIP geralmente envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino para o trato genital superior. Os principais agentes etiológicos são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, embora bactérias da flora vaginal também possam estar envolvidas. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em critérios mínimos como dor abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Fatores como febre, corrimento vaginal mucopurulento e elevação de marcadores inflamatórios aumentam a probabilidade diagnóstica. A conduta assertiva para a DIP é o tratamento empírico e imediato com antibióticos de amplo espectro, sem aguardar resultados de culturas, devido ao risco de sequelas. O regime ambulatorial recomendado inclui ceftriaxona (para cobrir gonorreia) e doxiciclina (para cobrir clamídia e outros patógenos atípicos), com ou sem metronidazol (para anaeróbios). A hospitalização é indicada para casos graves, gestantes, falha do tratamento ambulatorial ou suspeita de abscesso tubo-ovariano. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para minimizar as complicações.
Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais que aumentam a especificidade são febre, corrimento vaginal ou cervical mucopurulento e elevação de PCR/VHS.
O tratamento deve ser iniciado empiricamente e de imediato devido ao risco de complicações graves e irreversíveis, como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica, que aumentam com o atraso no tratamento. A cobertura deve ser ampla para os principais patógenos.
Os principais agentes etiológicos são bactérias sexualmente transmissíveis, especialmente Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Outros patógenos incluem bactérias da flora vaginal e entérica, como Gardnerella vaginalis e Mycoplasma hominis.
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