DIP Grau 3: Diagnóstico e Manejo de Abscesso Tubo-Ovariano

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente, 25 anos, história de dor em baixo ventre há 1 semana com piora progressiva. Nega outros sinais ou sintomas. MAC: pílula estendida. DUM: amenorreia induzida. Ao exame físico, bom estado geral, abdome doloroso, colo uterino com hiperemia e secreção turva, toque muito doloroso e abaulamento em região de fórnice vaginal lateral direito. Qual alternativa está mais adequada ao caso?

Alternativas

  1. A) Hipótese de DIP grau 3, indicação de internação e exame de imagem.
  2. B) Hipótese de gestação ectópica com indicação de solicitar B-HCG e cirurgia.
  3. C) Hipótese de torção de cisto anexial direito com indicação de exame de imagem e cirurgia.
  4. D) Hipótese de endometrioma, indicado exame de imagem, dosar CA 125 e provável cirurgia.
  5. E) Hipótese de apendicite, solicitar hemograma, exame de imagem e cirurgia.

Pérola Clínica

DIP com dor intensa, sinais de peritonite e abaulamento em fórnice → DIP grau 3 (abscesso tubo-ovariano), requer internação e imagem.

Resumo-Chave

A paciente apresenta dor em baixo ventre progressiva, sinais de cervicite (colo hiperemiado e secreção turva) e achados de peritonite pélvica (toque muito doloroso, abaulamento em fórnice). Este quadro é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) complicada, provavelmente grau 3, com formação de abscesso tubo-ovariano ou pélvico, o que exige internação e exames de imagem para confirmação e manejo adequado.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. A DIP é mais comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, sendo frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado na presença de dor em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e/ou dor à palpação anexial. Sinais como febre, secreção vaginal purulenta e aumento de marcadores inflamatórios (VHS, PCR) reforçam a suspeita. A classificação da DIP em graus (1 a 3) auxilia na conduta, sendo o grau 3 caracterizado pela presença de abscesso tubo-ovariano ou peritonite pélvica, como sugerido pelo abaulamento em fórnice vaginal lateral e dor intensa ao toque. O tratamento da DIP é empírico e de amplo espectro, visando cobrir os principais patógenos. Em casos de DIP grau 3, a internação hospitalar é mandatória para antibioticoterapia intravenosa e monitoramento. Exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal, são essenciais para confirmar a presença e extensão do abscesso. A drenagem do abscesso pode ser necessária em algumas situações, seja por via percutânea guiada por imagem ou cirúrgica, para evitar complicações graves como a ruptura e sepse.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

O diagnóstico de DIP é clínico e requer a presença de dor em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e/ou dor à palpação anexial. Critérios adicionais incluem febre, secreção vaginal ou cervical purulenta, leucocitose, aumento de VHS/PCR e evidência laboratorial de infecção por clamídia ou gonococo.

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada para DIP grave (grau 3, com abscesso), pacientes grávidas, imunocomprometidas, adolescentes, com falha ao tratamento ambulatorial, intolerância à medicação oral, suspeita de abscesso pélvico ou tubo-ovariano, ou quando o diagnóstico é incerto e não se pode excluir outras emergências cirúrgicas.

Qual o papel dos exames de imagem na avaliação da DIP?

Exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal, são cruciais para confirmar a presença de abscesso tubo-ovariano, hidrossalpinge ou outras complicações da DIP, especialmente em casos graves ou com suspeita de massa pélvica. Eles auxiliam na diferenciação de outras causas de dor pélvica.

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