UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Paciente S.F, 23 anos, deu entrada na UPA referindo dor à palpação abdominal mais intensa em ambas as fossas ilíacas. Ao exame ginecológico, apresenta leucorreia, útero de volume normal, dor à mobilização do colo uterino e dor intensa à palpação dos anexos. É sexualmente ativa e nega uso de preservativo (condom). O provável diagnóstico dessa paciente é
DIP = dor abdominal baixa + dor à mobilização do colo + dor anexial + leucorreia + fatores de risco IST.
A paciente apresenta a tríade clássica de dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação dos anexos, além de leucorreia e fator de risco (relação sexual sem preservativo). Esses achados são altamente sugestivos de Doença Inflamatória Pélvica (DIP).
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição comum, especialmente em mulheres jovens e sexualmente ativas, e representa uma importante causa de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir sequelas a longo prazo. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado na presença de dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação dos anexos. A presença de leucorreia purulenta e fatores de risco para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como múltiplos parceiros e não uso de preservativo, reforçam a suspeita. Embora exames laboratoriais (VHS, PCR) e de imagem (ultrassonografia) possam auxiliar, o tratamento empírico deve ser iniciado com base na forte suspeita clínica para evitar atrasos. O tratamento da DIP consiste em antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo os principais agentes etiológicos (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e bactérias anaeróbias). A escolha do esquema antibiótico (oral ou parenteral) depende da gravidade do quadro. É fundamental tratar também os parceiros sexuais para evitar reinfecção. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente a DIP e iniciar o tratamento adequado, considerando os diagnósticos diferenciais de dor pélvica aguda.
Os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP incluem dor à palpação abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais que aumentam a especificidade são febre, leucorreia, VHS/PCR elevados e evidência laboratorial de infecção por gonorreia ou clamídia.
Os principais fatores de risco para DIP incluem múltiplos parceiros sexuais, não uso de preservativos, histórico de DIP prévia, infecções sexualmente transmissíveis (especialmente clamídia e gonorreia), idade jovem (<25 anos) e duchas vaginais.
A diferenciação da DIP de outras causas como apendicite, gestação ectópica, torção de ovário ou endometriose é feita pela combinação dos critérios clínicos, fatores de risco para IST, exames laboratoriais (beta-hCG, hemograma, PCR) e, se necessário, exames de imagem como ultrassonografia pélvica. A dor à mobilização do colo e a dor anexial são achados muito sugestivos de DIP.
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