Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Sinais Chave

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Mulher com 21 anos chega a uma unidade de pronto atendimento relatando dor pélvica há 2 dias, que se intensificou nas últimas 8 horas, após relação sexual. Queixa-se de sangramento vaginal após a relação, evidenciado na consulta. Refere que a última menstruação havia ocorrido há 5 dias, com ciclos anteriores regulares.Ao exame físico, encontrava-se febril (temperatura axilar: 38,7 °C), com sinais de defesa abdominal, e demonstrou que o exame ginecológico foi extremamente doloroso, quando houve mobilização dos anexos e do colo uterino, que apresentava ectocérvice friável e sangrante. A paciente refere dados normais de exames ginecológico e ecográfico realizados há 90 dias.Considerando-se essa história clínica, qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Gravidez ectópica rota.
  2. B) Doença inflamatória pélvica.
  3. C) Torção anexial de cisto ovariano.
  4. D) Rotura de cisto lúteo hemorrágico. 

Pérola Clínica

Dor pélvica aguda + febre + dor à mobilização do colo/anexos + sangramento pós-coito → Alta suspeita de DIP.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior, comum em mulheres jovens sexualmente ativas. Os sintomas clássicos incluem dor pélvica, febre, dor à mobilização do colo e anexos, e pode haver sangramento vaginal, especialmente pós-coito, indicando cervicite.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção polimicrobiana do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários, frequentemente associada a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. É uma das causas mais comuns de dor pélvica aguda em mulheres jovens e sexualmente ativas, com uma incidência significativa e potencial para sequelas graves como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para minimizar essas complicações. A fisiopatologia da DIP envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino para o trato genital superior. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo e/ou anexos no exame físico, e frequentemente acompanhado de febre, secreção vaginal anormal e elevação de marcadores inflamatórios. A história de múltiplos parceiros sexuais e ausência de métodos de barreira são fatores de risco importantes. A ecografia pélvica pode auxiliar, mas um exame normal não exclui o diagnóstico. O tratamento da DIP é empírico, com antibióticos de amplo espectro que cubram os principais patógenos, incluindo gonococos, clamídias e anaeróbios. Regimes comuns incluem ceftriaxona intramuscular com doxiciclina oral, ou metronidazol adicionado em casos mais graves. A hospitalização é indicada para pacientes com quadros graves, gestantes, imunocomprometidas, ou sem resposta ao tratamento ambulatorial. A educação sobre ISTs e práticas sexuais seguras é fundamental para a prevenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica?

Os critérios maiores para DIP incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, leucocitose, VHS/PCR elevadas e evidência de cervicite aumentam a probabilidade.

Como diferenciar DIP de outras causas de dor pélvica aguda?

A diferenciação envolve a avaliação completa dos sintomas, exame físico e exames complementares. Gravidez ectópica é descartada com teste de gravidez negativo, enquanto torção anexial geralmente não cursa com febre ou sinais de infecção cervical.

Qual a importância do sangramento pós-coito na suspeita de DIP?

O sangramento pós-coito, juntamente com ectocérvice friável e dolorosa à mobilização, sugere cervicite, que é um componente comum da DIP e um ponto de entrada para a infecção ascendente.

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