Doença Inflamatória Pélvica Grave: Conduta Hospitalar

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente com 28 anos de idade, nulípara, usuária de anticoncepcional hormonal combinado oral, relata, em consulta, que há 3 dias iniciou com dor em baixo ventre, de forte intensidade, associada a náuseas e vômitos, que piorou nas últimas 8 horas. Ao exame físico, apresenta pressão arterial = 100 x 60 mmHg, temperatura = 39,1°C, abdome com dor intensa à palpação no andar inferior e à descompressão brusca em fossas ilíacas. Ao exame especular, verifica-se a presença de conteúdo purulento exteriorizando-se pelo orifício do colo uterino. O toque vaginal evidencia dor à mobilização do colo uterino e à palpação dos anexos, bilateralmente. Diante dessa situação, a conduta imediata indicada é

Alternativas

  1. A)   identificar o agente etiológico da secreção cervical antes de iniciar o tratamento medicamentoso.
  2. B) encaminhar a paciente para tratamento em ambiente hospitalar com antibioticoterapia injetável.
  3. C) instituir tratamento clínico ambulatorial de imediato para a paciente, com retorno em 48 horas para reavaliação.
  4. D) encaminhar a paciente para tratamento cirúrgico a fim de melhor avaliar o comprometimento do sistema reprodutivo.

Pérola Clínica

DIP com sinais de peritonite/febre alta → Internação + ATB injetável.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) grave, com sinais de peritonite (dor à descompressão brusca, dor intensa à palpação, febre alta) e evidência de infecção (secreção purulenta, dor à mobilização do colo e anexos). Nesses casos, a conduta imediata é a internação hospitalar para antibioticoterapia injetável.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários, frequentemente causada por ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino. É uma condição séria que pode levar a complicações reprodutivas a longo prazo, como infertilidade e gravidez ectópica. O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para minimizar esses riscos. A fisiopatologia da DIP geralmente envolve infecções sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, que ascendem do trato genital inferior. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. Sinais de gravidade, como febre alta, náuseas, vômitos e sinais de peritonite, indicam a necessidade de internação. A conduta imediata para DIP grave, com sinais de peritonite ou abscesso, é a internação hospitalar para antibioticoterapia injetável de amplo espectro. O tratamento ambulatorial é reservado para casos leves a moderados sem critérios de internação. O acompanhamento é crucial para avaliar a resposta ao tratamento e prevenir sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para internação hospitalar em casos de DIP?

Os critérios incluem: diagnóstico incerto (excluir apendicite, gravidez ectópica), falha no tratamento ambulatorial, gravidez, imunodeficiência, doença grave (febre alta, náuseas/vômitos, peritonite), abscesso tubo-ovariano ou abscesso pélvico.

Qual o esquema de antibioticoterapia injetável recomendado para DIP grave?

Esquemas comuns incluem Cefoxitina ou Cefotetana + Doxiciclina, ou Clindamicina + Gentamicina. O objetivo é cobrir um amplo espectro de patógenos, incluindo Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e anaeróbios.

Quais são as principais complicações da DIP não tratada ou tratada inadequadamente?

As complicações incluem dor pélvica crônica, infertilidade tubária, gravidez ectópica, abscesso tubo-ovariano, peritonite generalizada e sepse.

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