DIP: Classificação de Monif e Manejo Ambulatorial

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 32 anos de idade, vem à Urgência com dor em baixo ventre há 4 dias. Há 6 horas aferiu a temperatura e estava 38,2°C. Primigesta com parto normal há 3 anos. Namorado fixo há um mês. Nega cirurgias prévias ou comorbidades. Nega disúria, vômitos ou diarreia. Como método contraceptivo faz uso de pílula. Nega uso de condom. Ao exame físico: corada, hidratada, anictérica e acianótica. PA: 100x60mmHg. FC: 108bpm. FR: 16ipm. Ausculta torárica e abdominal sem alterações. Dor à palpação em hipogástrio, porém sem piora à descompressão brusca. Exame especular: secreção vaginal de dor fétido, amarelada. Toque vaginal: dor à mobilização do colo e palpação de anexos. Diante desse caso clínico, indique:O estágio da doença e a proposição de tratamento, de acordo com a Classificação de Monif:

Alternativas

  1. A) Estágio 1, tratamento ambulatorial.
  2. B) Estágio 2, tratamento ambulatorial.
  3. C) Estágio 3, tratamento hospitalar.
  4. D) Estágio 4, tratamento hospitalar.

Pérola Clínica

DIP com dor à mobilização do colo e anexos, febre, sem peritonite → Monif Estágio 1, tratamento ambulatorial.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino. A classificação de Monif auxilia na estratificação da gravidade e na decisão entre tratamento ambulatorial ou hospitalar, sendo o Estágio 1 caracterizado por salpingite sem peritonite.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o superior, afetando útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica, sendo de grande importância na prática ginecológica e para provas de residência. A epidemiologia está fortemente ligada a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), especialmente em mulheres jovens e sexualmente ativas. A fisiopatologia envolve a quebra da barreira cervical, permitindo a ascensão bacteriana. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios mínimos (dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo, dor anexial) e critérios adicionais. A classificação de Monif é crucial para a conduta: Estágio 1 (salpingite sem peritonite) é ambulatorial; Estágio 2 (salpingite com peritonite) e Estágio 3 (abscesso tubo-ovariano) exigem internação; Estágio 4 (ruptura de abscesso) é uma emergência cirúrgica. O tratamento visa erradicar os patógenos e prevenir sequelas. No Estágio 1, o tratamento ambulatorial com antibióticos de amplo espectro (ex: ceftriaxona + doxiciclina + metronidazol) é eficaz. É fundamental tratar os parceiros sexuais e orientar sobre o uso de preservativos. A falha no tratamento ambulatorial ou a progressão da doença indicam a necessidade de reavaliação e possível internação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor abdominal baixa, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. Critérios adicionais como febre, secreção vaginal purulenta, leucocitose e aumento de VHS/PCR apoiam o diagnóstico.

Como a classificação de Monif orienta o tratamento da DIP?

A classificação de Monif estratifica a DIP em estágios de gravidade. Estágio 1 (salpingite sem peritonite) permite tratamento ambulatorial, enquanto estágios mais avançados (com peritonite ou abscesso) exigem internação e tratamento hospitalar.

Quais são os principais agentes etiológicos da DIP?

Os principais agentes são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, frequentemente associados a infecções polimicrobianas com bactérias anaeróbias e facultativas da flora vaginal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo