ENARE/ENAMED — Prova 2024
Um ginecologista é chamado para avaliar uma paciente de 20 anos, nuligesta, apresentando dor abdominal de início há uma semana e que foi internada na enfermaria do hospital local para investigação. A data da última menstruação foi há 15 dias. Refere não utilizar método contraceptivo de maneira regular, apenas condom esporádico. Relata dispareunia e apresenta dismenorreia que melhora com uso de AINES. PA 120x60 mmHg, FC 90 bpm, Sat. O2 99%, T. axilar 38,4 °C. Ao exame abdominal, leve dor à palpação superficial de região suprapúbica e o exame ginecológico apresenta corrimento de coloração amarelada proveniente do colo uterino associado à dor à mobilização do colo uterino. O exame ultrassonográfico revela sinal da roda dentada. Diante desse caso clínico, assinale a principal hipótese diagnóstica e a conduta adequada.
Dor pélvica + febre + corrimento + dor mobilização colo + sinal roda dentada (USG) → DIP. Internar e iniciar ATB IV (ceftriaxona + metronidazol).
O quadro clínico com dor pélvica, febre, corrimento cervical, dor à mobilização do colo e o sinal da roda dentada na USG são altamente sugestivos de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A internação é indicada para casos mais graves ou com falha de tratamento ambulatorial, e o tratamento inicial é com antibioticoterapia endovenosa, que pode ser convertida para oral após melhora clínica.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, infertilidade e gestação ectópica. A etiologia mais comum é a ascensão de microrganismos sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. O diagnóstico da DIP é clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Sinais adicionais como febre, corrimento cervical purulento, leucocitose e aumento de marcadores inflamatórios reforçam a suspeita. A ultrassonografia transvaginal pode revelar achados como espessamento das tubas uterinas, líquido livre na pelve ou o "sinal da roda dentada", que indica salpingite. O tratamento da DIP é essencialmente antibiótico. A internação é indicada em casos de gravidade moderada a grave, falha do tratamento ambulatorial, suspeita de abscesso tubo-ovariano, gestação, imunodeficiência ou quando o diagnóstico é incerto. O esquema intravenoso inicial geralmente inclui ceftriaxona e metronidazol, que pode ser substituído por via oral após melhora clínica e afebrilidade, completando um ciclo total de 14 dias.
Os critérios diagnósticos incluem dor abdominal baixa, dor à palpação anexial, dor à mobilização do colo uterino, febre, leucocitose, aumento de PCR/VHS e evidência de infecção por clamídia/gonorreia.
O "sinal da roda dentada" na ultrassonografia é característico de salpingite, uma inflamação das tubas uterinas, onde as pregas mucosas edemaciadas se assemelham aos dentes de uma roda.
A internação é indicada para pacientes com DIP grave, gestantes, imunocomprometidas, falha no tratamento ambulatorial, suspeita de abscesso tubo-ovariano, ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo