Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Tratamento Hospitalar

ENARE/ENAMED — Prova 2024

Enunciado

Um ginecologista é chamado para avaliar uma paciente de 20 anos, nuligesta, apresentando dor abdominal de início há uma semana e que foi internada na enfermaria do hospital local para investigação. A data da última menstruação foi há 15 dias. Refere não utilizar método contraceptivo de maneira regular, apenas condom esporádico. Relata dispareunia e apresenta dismenorreia que melhora com uso de AINES. PA 120x60 mmHg, FC 90 bpm, Sat. O2 99%, T. axilar 38,4 °C. Ao exame abdominal, leve dor à palpação superficial de região suprapúbica e o exame ginecológico apresenta corrimento de coloração amarelada proveniente do colo uterino associado à dor à mobilização do colo uterino. O exame ultrassonográfico revela sinal da roda dentada. Diante desse caso clínico, assinale a principal hipótese diagnóstica e a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Doença inflamatória pélvica / O tratamento deve ser realizado obrigatoriamente em domicílio com antibioticoterapia via oral.
  2. B) O sinal da roda dentada mostra que se trata de um quadro de apendicite associado à doença inflamatória pélvica / A indicação é cirúrgica e deve-se iniciar antibioticoterapia.
  3. C) Pielonefrite complicada por uretrite / Realizar internação e antibioticoterapia endovenosa.
  4. D) A principal suspeita, diante do sinal da roda dentada, é gestação ectópica / Realizar internamento e solicitar beta quantitativo a cada 48 horas.
  5. E) Doença inflamatória pélvica / Realizar internação, sendo possível iniciar ceftriaxona e metronidazol endovenoso e, à medida que a paciente melhorar e não apresentar mais quadro febril, o esquema pode ser trocado para via oral.

Pérola Clínica

Dor pélvica + febre + corrimento + dor mobilização colo + sinal roda dentada (USG) → DIP. Internar e iniciar ATB IV (ceftriaxona + metronidazol).

Resumo-Chave

O quadro clínico com dor pélvica, febre, corrimento cervical, dor à mobilização do colo e o sinal da roda dentada na USG são altamente sugestivos de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A internação é indicada para casos mais graves ou com falha de tratamento ambulatorial, e o tratamento inicial é com antibioticoterapia endovenosa, que pode ser convertida para oral após melhora clínica.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, infertilidade e gestação ectópica. A etiologia mais comum é a ascensão de microrganismos sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. O diagnóstico da DIP é clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Sinais adicionais como febre, corrimento cervical purulento, leucocitose e aumento de marcadores inflamatórios reforçam a suspeita. A ultrassonografia transvaginal pode revelar achados como espessamento das tubas uterinas, líquido livre na pelve ou o "sinal da roda dentada", que indica salpingite. O tratamento da DIP é essencialmente antibiótico. A internação é indicada em casos de gravidade moderada a grave, falha do tratamento ambulatorial, suspeita de abscesso tubo-ovariano, gestação, imunodeficiência ou quando o diagnóstico é incerto. O esquema intravenoso inicial geralmente inclui ceftriaxona e metronidazol, que pode ser substituído por via oral após melhora clínica e afebrilidade, completando um ciclo total de 14 dias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios diagnósticos incluem dor abdominal baixa, dor à palpação anexial, dor à mobilização do colo uterino, febre, leucocitose, aumento de PCR/VHS e evidência de infecção por clamídia/gonorreia.

O que significa o "sinal da roda dentada" na ultrassonografia pélvica?

O "sinal da roda dentada" na ultrassonografia é característico de salpingite, uma inflamação das tubas uterinas, onde as pregas mucosas edemaciadas se assemelham aos dentes de uma roda.

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada para pacientes com DIP grave, gestantes, imunocomprometidas, falha no tratamento ambulatorial, suspeita de abscesso tubo-ovariano, ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.

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