FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
Paciente, 28 anos, com história de inserção de DIU há 6 meses, refere que há 5 dias vem apresentando febre (38ºC), acompanhada de dor em baixo ventre intensa e corrimento amarelado. A melhor maneira de conduzir este caso seria:
DIP associada a DIU → retirada do DIU + ATB.
A presença de febre, dor pélvica intensa e corrimento em usuária de DIU, especialmente nos primeiros meses pós-inserção, sugere Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Nesses casos, a retirada do DIU é recomendada para remover o foco infeccioso, seguida de antibioticoterapia.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver o útero (endometrite), as tubas uterinas (salpingite) e os ovários (ooforite), podendo levar à formação de abscessos. Embora o DIU seja um método contraceptivo seguro e eficaz, sua inserção pode aumentar o risco de DIP, principalmente nas primeiras três semanas pós-procedimento, devido à introdução de bactérias da flora vaginal ou cervical na cavidade uterina. Os sintomas clássicos da DIP incluem dor pélvica ou abdominal baixa, febre, corrimento vaginal purulento e dor à mobilização do colo uterino. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos, geralmente sexualmente transmissíveis (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae), mas também bactérias da flora vaginal, causando inflamação e infecção. O tratamento da DIP em usuárias de DIU envolve a retirada do dispositivo, pois ele pode atuar como um nicho para as bactérias, e a administração de antibioticoterapia adequada. A escolha entre tratamento oral e intravenoso depende da gravidade do quadro clínico, com casos mais leves podendo ser tratados ambulatorialmente com antibióticos orais, enquanto casos graves ou com complicações exigem internação e terapia intravenosa. A retirada do DIU é fundamental para a resolução da infecção e prevenção de recorrências.
Os principais sinais e sintomas incluem dor pélvica ou abdominal baixa, febre, corrimento vaginal purulento, dispareunia e dor à mobilização do colo uterino no exame físico. A presença de um DIU é um fator de risco, especialmente nos primeiros 20 dias após a inserção.
A retirada do DIU é crucial porque o dispositivo pode atuar como um corpo estranho e um foco para a colonização bacteriana, dificultando a erradicação da infecção apenas com antibióticos. Sua remoção facilita a resolução do quadro infeccioso.
A internação e antibioticoterapia intravenosa são indicadas para casos de DIP grave, falha do tratamento oral, suspeita de abscesso tubo-ovariano, gravidez, imunodeficiência ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições graves não podem ser excluídas.
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