IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020
Adolescente de 14 anos, com vida sexual ativa, é internada com quadro de dor abdominal intensa, febre alta, calafrios e queda do estado geral. O hemograma revela leucocitose e aumento da proteína C reativa, sugerindo doença inflamatória pélvica. A etiologia mais provável é:
Adolescente sexualmente ativa com DIP → Chlamydia trachomatis é a etiologia bacteriana mais comum.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) em adolescentes sexualmente ativas é frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis ascendentes. Dentre as bactérias, a Chlamydia trachomatis é a etiologia mais comum, seguida pela Neisseria gonorrhoeae, sendo crucial o tratamento empírico que cubra ambos os patógenos.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que resulta da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, causando inflamação do útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição séria que pode levar a complicações reprodutivas a longo prazo, como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. Em adolescentes com vida sexual ativa, a DIP é uma preocupação significativa. A etiologia da DIP é predominantemente polimicrobiana, mas as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) desempenham um papel central. Dentre os patógenos bacterianos, a Chlamydia trachomatis é a causa mais comum, responsável por uma parcela significativa dos casos, muitas vezes com infecções assintomáticas que progridem para DIP. A Neisseria gonorrhoeae é o segundo agente mais frequente. Outros microrganismos, como bactérias anaeróbias e flora vaginal, também podem estar envolvidos. O diagnóstico da DIP é clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial, associado a sinais de inflamação sistêmica como febre, leucocitose e aumento da proteína C reativa. O tratamento deve ser iniciado empiricamente, cobrindo os principais patógenos, e é fundamental para prevenir sequelas. A educação sexual e o rastreamento de ISTs são essenciais na prevenção da DIP em adolescentes.
Os critérios mínimos incluem dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, leucocitose, PCR elevada e evidência de cervicite aumentam a probabilidade.
O tratamento empírico deve cobrir Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, geralmente com ceftriaxona intramuscular em dose única e doxiciclina oral por 14 dias, com ou sem metronidazol.
As complicações incluem dor pélvica crônica, infertilidade tubária, gravidez ectópica e aumento do risco de recorrência da DIP.
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