Doença Inflamatória Pélvica: Manejo Ambulatorial e Critérios

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 32 anos, sexualmente ativa, usuária de contraceptivo oral e sem método de barreira, apresenta-se ao pronto socorro hospitalar com quadro de dor pélvica progressiva de início espontâneo há 5 dias. Nega adinamia e alteração do apetite. Ao exame físico: bom estado geral, temperatura de 38,5 graus Celsius, secreção cervical purulenta, dor à mobilização do colo uterino e ao toque bimanual com palpação dos anexos. Apresenta hemograma com leucócitos de 13950/mm³ e PCR de 57 mg/L. BHCG negativo e ultrassonografia transvaginal evidenciando espessamento tubário direito e pequena quantidade de líquido livre na pelve.Diante da hipótese de doença inflamatória pélvica aguda, neste caso, recomenda-se

Alternativas

  1. A) antibioticoterapia de amplo espectro via oral, por 14 dias, com reavaliação clínica em 3 dias.
  2. B) internação para antibioticoterapia de amplo espectro endovenosa, esperando 48 horas por melhora, considerando-se cirurgia em caso negativo.
  3. C) antibioticoterapia de amplo espectro via oral, por 14 dias, com reavaliação clínica em 7 dias.
  4. D) internação para laparoscopia e drenagem de abscesso pélvico, seguida de antibioticoterapia de amplo espectro endovenosa.

Pérola Clínica

DIP aguda sem critérios de internação grave → ATB oral amplo espectro 14d, reavaliação em 72h.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) aguda é uma infecção do trato genital superior. Em pacientes com quadro clínico moderado, sem sinais de gravidade ou abscesso tubo-ovariano confirmado, a antibioticoterapia oral de amplo espectro por 14 dias com reavaliação precoce (em 48-72 horas) é a conduta inicial recomendada.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, com morbidade significativa, incluindo dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para prevenir sequelas. O diagnóstico de DIP é primariamente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, secreção cervical purulenta, leucocitose e aumento de PCR apoiam o diagnóstico. A ultrassonografia transvaginal pode evidenciar espessamento tubário ou líquido livre, mas não é necessária para o diagnóstico em todos os casos. A exclusão de outras causas de dor pélvica é fundamental. O tratamento da DIP consiste em antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir os principais patógenos (gonococo, clamídia, anaeróbios). Em casos de DIP leve a moderada, sem critérios de internação, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais por 14 dias é apropriado, com reavaliação clínica em 48-72 horas. A internação e antibioticoterapia endovenosa são reservadas para casos graves, gestantes, falha do tratamento oral ou suspeita de abscesso tubo-ovariano.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios mínimos para o diagnóstico clínico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, secreção cervical purulenta e leucocitose aumentam a probabilidade diagnóstica.

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada para pacientes grávidas, com suspeita de abscesso tubo-ovariano, DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, dor intensa), falha do tratamento ambulatorial, incapacidade de tolerar medicação oral ou quando não se pode excluir emergência cirúrgica.

Qual a importância da reavaliação precoce no tratamento ambulatorial da DIP?

A reavaliação em 48-72 horas é crucial para monitorar a resposta ao tratamento. Se não houver melhora clínica, a paciente deve ser internada para antibioticoterapia endovenosa ou reavaliação diagnóstica.

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