Abscesso Tubo-Ovariano: Quando a Cirurgia é Obrigatória?

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

A Moléstia Inflamatória Pélvica (MIPA) é considerada como um conjunto de processos inflamatórios da região pélvica devido à propagação de microrganismos a partir do colo do útero e da vagina para o endométrio, as tubas, o peritônio e as estruturas adjacentes. Uma de suas complicações é a presença de Abscesso Tubo-Ovariano (ATO). Nesse contexto, torna-se obrigatória a abordagem cirúrgica se:

Alternativas

  1. A) O maior diâmetro do ATO for maior que 5,0 cm.
  2. B) O ATO se romper.
  3. C) O agente isolado for Chlamydia trachomatis.
  4. D) Não houver resposta à antibioticoterapia por doze horas.

Pérola Clínica

Abscesso Tubo-Ovariano (ATO) roto = Emergência Cirúrgica Imediata. Estável → Antibiótico IV.

Resumo-Chave

Embora a maioria dos abscessos tubo-ovarianos responda ao tratamento clínico com antibióticos, a ruptura do abscesso causa peritonite generalizada e choque, exigindo cirurgia imediata.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção ascendente do trato genital superior feminino, frequentemente causada por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de flora polimicrobiana anaeróbia. O abscesso tubo-ovariano (ATO) representa uma complicação grave, ocorrendo em cerca de 15-30% das pacientes internadas com DIP. A decisão entre tratamento clínico e cirúrgico baseia-se na estabilidade da paciente e na integridade do abscesso. A cirurgia (laparoscopia ou laparotomia) é reservada para casos de ruptura, suspeita de sepse, ou falha do tratamento clínico após 48-72 horas. Embora abscessos grandes (> 8-10 cm) tenham maior chance de falha no tratamento clínico, o tamanho isolado não é uma indicação absoluta de cirurgia imediata se a paciente estiver clinicamente estável. A preservação da fertilidade é uma preocupação constante, favorecendo abordagens conservadoras ou minimamente invasivas sempre que seguro.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento inicial para o Abscesso Tubo-Ovariano (ATO)?

O tratamento inicial para pacientes estáveis com ATO é a internação hospitalar e antibioticoterapia de amplo espectro por via endovenosa (ex: Ceftriaxone + Doxiciclina + Metronidazol). A resposta clínica é monitorada rigorosamente, avaliando parâmetros como febre, dor e leucocitose.

Quais os sinais de ruptura de um abscesso tubo-ovariano?

A ruptura manifesta-se por dor abdominal súbita e intensa, sinais de irritação peritoneal (abdome em tábua, sinal de Blumberg positivo), instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) e febre alta. Isso configura um abdome agudo inflamatório grave com alto risco de sepse, exigindo laparotomia ou laparoscopia de emergência.

Quanto tempo esperar pela resposta ao antibiótico no ATO?

Geralmente aguarda-se de 48 a 72 horas para avaliar a resposta clínica. Se não houver melhora nesse período (persistência de febre ou dor), considera-se falha do tratamento clínico e indica-se drenagem guiada por imagem ou abordagem cirúrgica. A cirurgia imediata sem teste terapêutico é reservada apenas para casos de ruptura ou instabilidade.

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