Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
A Moléstia Inflamatória Pélvica (MIPA) é considerada como um conjunto de processos inflamatórios da região pélvica devido à propagação de microrganismos a partir do colo do útero e da vagina para o endométrio, as tubas, o peritônio e as estruturas adjacentes. Uma de suas complicações é a presença de Abscesso Tubo-Ovariano (ATO). Nesse contexto, torna-se obrigatória a abordagem cirúrgica se:
Abscesso Tubo-Ovariano (ATO) roto = Emergência Cirúrgica Imediata. Estável → Antibiótico IV.
Embora a maioria dos abscessos tubo-ovarianos responda ao tratamento clínico com antibióticos, a ruptura do abscesso causa peritonite generalizada e choque, exigindo cirurgia imediata.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção ascendente do trato genital superior feminino, frequentemente causada por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de flora polimicrobiana anaeróbia. O abscesso tubo-ovariano (ATO) representa uma complicação grave, ocorrendo em cerca de 15-30% das pacientes internadas com DIP. A decisão entre tratamento clínico e cirúrgico baseia-se na estabilidade da paciente e na integridade do abscesso. A cirurgia (laparoscopia ou laparotomia) é reservada para casos de ruptura, suspeita de sepse, ou falha do tratamento clínico após 48-72 horas. Embora abscessos grandes (> 8-10 cm) tenham maior chance de falha no tratamento clínico, o tamanho isolado não é uma indicação absoluta de cirurgia imediata se a paciente estiver clinicamente estável. A preservação da fertilidade é uma preocupação constante, favorecendo abordagens conservadoras ou minimamente invasivas sempre que seguro.
O tratamento inicial para pacientes estáveis com ATO é a internação hospitalar e antibioticoterapia de amplo espectro por via endovenosa (ex: Ceftriaxone + Doxiciclina + Metronidazol). A resposta clínica é monitorada rigorosamente, avaliando parâmetros como febre, dor e leucocitose.
A ruptura manifesta-se por dor abdominal súbita e intensa, sinais de irritação peritoneal (abdome em tábua, sinal de Blumberg positivo), instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) e febre alta. Isso configura um abdome agudo inflamatório grave com alto risco de sepse, exigindo laparotomia ou laparoscopia de emergência.
Geralmente aguarda-se de 48 a 72 horas para avaliar a resposta clínica. Se não houver melhora nesse período (persistência de febre ou dor), considera-se falha do tratamento clínico e indica-se drenagem guiada por imagem ou abordagem cirúrgica. A cirurgia imediata sem teste terapêutico é reservada apenas para casos de ruptura ou instabilidade.
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