Doença Inflamatória Pélvica (DIP): Manejo com DIU

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Nuligesta, 26 anos, vem ao pronto atendimento queixando de corrimento fétido há 10 dias e dor no baixo ventre há sete dias. Nega febre, vómitos ou diarreia. Usa dispositivo intrauterino (DIU) de cobre há um ano. Ao exame, observa-se conteúdo vaginal de coloração esverdeada e odor fétido, dor a palpação profunda de hipogástrio e ao toque vaginal apresenta dor à mobilização do colo e palpação de anexos.Qual o manejo mais adequado para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Interação helipitatar, clindamicina e gentamicina, manter DIU.
  2. B) Tratamento ambulatorial, azitromicina, ceftriaxona e metronidazol. retirar DIU.
  3. C) Tratamento ambulatorial, doxiciclina, ceftriaxona e metronidazol, manter DIU.
  4. D) Internação hospitalar, penicilina cristalina e ceftriaxona, retirar DIU.

Pérola Clínica

DIP com DIU → Tratamento ambulatorial com ceftriaxona, doxiciclina, metronidazol; manter DIU se não houver abscesso.

Resumo-Chave

A presença de DIU aumenta o risco de DIP, especialmente nos primeiros meses. O manejo ambulatorial é a regra para casos leves a moderados, e a retirada do DIU só é indicada em casos de abscesso pélvico ou falha terapêutica, não sendo rotina na apresentação inicial.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo endométrio, tubas uterinas, ovários e peritônio pélvico. É uma das principais causas de infertilidade e dor pélvica crônica em mulheres jovens, sendo frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. A presença de um DIU é um fator de risco conhecido, especialmente nos primeiros 20 dias após a inserção, mas o risco diminui significativamente após esse período. O diagnóstico da DIP é essencialmente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e/ou dor à palpação de anexos. Exames complementares como ultrassonografia, hemograma e marcadores inflamatórios podem auxiliar, mas não são mandatórios para iniciar o tratamento. A suspeita deve ser alta em mulheres jovens com múltiplos parceiros sexuais ou histórico de ISTs. A diferenciação com outras causas de dor pélvica aguda, como apendicite ou gravidez ectópica, é crucial. O tratamento da DIP visa erradicar a infecção, prevenir sequelas e aliviar os sintomas. A antibioticoterapia empírica deve cobrir os principais patógenos. Para casos ambulatoriais, o esquema recomendado inclui ceftriaxona (dose única IM), doxiciclina (oral por 14 dias) e metronidazol (oral por 14 dias). A internação hospitalar é reservada para casos graves, gestantes, imunocomprometidas, falha terapêutica ou suspeita de abscesso. A manutenção do DIU é a conduta padrão, a menos que haja abscesso pélvico ou ausência de resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

O diagnóstico de DIP é clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo e/ou dor à palpação de anexos. Critérios adicionais incluem febre, corrimento anormal, leucocitose e aumento de PCR/VHS.

Quando a retirada do DIU é indicada em casos de DIP?

A retirada do DIU não é rotineira na DIP. É indicada apenas em casos de abscesso tubo-ovariano ou quando não há melhora clínica após 48-72 horas de antibioticoterapia adequada.

Quais são as principais complicações da Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

As complicações da DIP incluem dor pélvica crônica, infertilidade tubária, gravidez ectópica e formação de abscesso tubo-ovariano, que pode levar a sepse se não tratado.

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