Doença Inflamatória Pélvica: Tratamento Ambulatorial Padrão

ENARE/ENAMED — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 26 anos agenda consulta com ginecologista devido à dor pélvica com duração de aproximadamente 30 dias. Relata que não tem parceiro fixo e, nos últimos meses, apresentou relação desprotegida. Ao exame especular, apresenta secreção purulenta proveniente do colo do útero e, no toque vaginal, dor à mobilização do colo do útero e anexos. O ultrassom ginecológico não mostrou anormalidades. Para essa paciente, qual esquema antibiótico é o mais recomendado?

Alternativas

  1. A) Ceftriaxona e amoxicilina.
  2. B) Cefalexina e ciprofloxacino.
  3. C) Doxiciclina e azitromicina.
  4. D) Ceftriaxona e azitromicina.
  5. E) Clindamicina e metronidazol.

Pérola Clínica

Suspeita de DIP com cervicite → Ceftriaxona (gonorreia) + Azitromicina (clamídia) é o esquema ambulatorial padrão.

Resumo-Chave

O quadro clínico sugere doença inflamatória pélvica (DIP) com cervicite. O tratamento ambulatorial recomendado para DIP deve cobrir os principais agentes etiológicos, Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, sendo a combinação de Ceftriaxona e Azitromicina a escolha padrão.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver o útero, tubas uterinas e ovários, e é uma causa comum de dor pélvica em mulheres jovens e sexualmente ativas. A etiologia é predominantemente polimicrobiana, com Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis sendo os patógenos mais frequentemente implicados, embora bactérias da flora vaginal também possam estar envolvidas. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios mínimos como dor à mobilização do colo, dor uterina e dor anexial, frequentemente associados a achados como secreção cervical purulenta e febre. O tratamento da DIP é crucial para prevenir complicações a longo prazo, como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. O esquema antibiótico empírico deve ser amplo o suficiente para cobrir os principais agentes etiológicos. Para o tratamento ambulatorial, a combinação recomendada é Ceftriaxona (geralmente dose única intramuscular) para cobrir N. gonorrhoeae, e Azitromicina (dose única oral) ou Doxiciclina (por 14 dias) para cobrir C. trachomatis. A Azitromicina é frequentemente preferida pela adesão devido à dose única. É importante ressaltar que o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível após a suspeita clínica, mesmo antes da confirmação laboratorial, para minimizar danos aos órgãos reprodutivos. A paciente deve ser orientada sobre o tratamento do(s) parceiro(s) sexual(is) e sobre práticas sexuais seguras para prevenir reinfecções e a disseminação das DSTs.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor à mobilização do colo, dor à palpação uterina e dor à palpação anexial, frequentemente acompanhados de secreção cervical purulenta e história de risco para DSTs.

Por que a combinação de Ceftriaxona e Azitromicina é o tratamento padrão para DIP?

Essa combinação é eficaz porque a Ceftriaxona cobre a Neisseria gonorrhoeae, e a Azitromicina cobre a Chlamydia trachomatis, os dois patógenos mais comuns na etiologia da DIP.

Quais são as complicações da Doença Inflamatória Pélvica não tratada?

A DIP não tratada pode levar a complicações graves como infertilidade tubária, gravidez ectópica, dor pélvica crônica, abcessos tubo-ovarianos e peritonite.

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