UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 36 anos, com dispositivo intrauterino (DIU) de levonorgestrel há 3 anos, queixa-se de dor abdominal em baixo ventre e febre (38,2ºC), há 1 dia. Refere ser sexualmente ativa e diz estar bem adaptada ao DIU. Exame físico: FC = 86bpm; temperatura axilar = 37,8ºC; hidratada; corada; abdome flácido, peristáltico, doloroso à palpação do hipogástrio, sem sinais de descompressão dolorosa. Exame especular: conteúdo vaginal fisiológico; colo uterino sem lesões aparentes; fios do DIU visualizados; conteúdo cervical mucopurulento. Toque vaginal: colo doloroso à mobilização; anexos dolorosos, porém impalpáveis. Conforme o “Manual de Planejamento Familiar” de 2022, da OMS, a conduta mais adequada é:
DIP com DIU: iniciar ATB e MANTER DIU se paciente não desejar remover, conforme OMS 2022.
A presença de DIU não é uma contraindicação para o tratamento conservador da DIP, e a remoção do DIU não é rotineiramente recomendada. O tratamento inicial deve focar na antibioticoterapia para cobrir os agentes etiológicos mais comuns da DIP, mantendo o DIU se a paciente desejar, conforme as diretrizes atuais da OMS.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver o útero, tubas uterinas e ovários. É uma complicação séria que pode levar a infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. A presença de um Dispositivo Intrauterino (DIU) é um fator de risco para DIP, principalmente nos primeiros 20 dias após a inserção, mas o risco a longo prazo é baixo e comparável ao de mulheres que não usam DIU. O diagnóstico da DIP é clínico, baseado em sintomas como dor abdominal em baixo ventre, febre, e achados ao exame ginecológico, como dor à mobilização do colo e dor anexial. A presença de conteúdo cervical mucopurulento reforça a suspeita. É crucial para o residente reconhecer esses sinais e sintomas para iniciar o tratamento adequado prontamente. As diretrizes mais recentes, como o "Manual de Planejamento Familiar" de 2022 da OMS, enfatizam que a presença do DIU não exige sua remoção imediata em casos de DIP. A conduta mais adequada é iniciar antibioticoterapia empírica, cobrindo os principais patógenos (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e bactérias anaeróbias), e manter o DIU, a menos que a paciente não apresente melhora clínica após 48-72 horas de tratamento ou solicite a remoção. Essa abordagem visa tratar a infecção enquanto preserva o método contraceptivo de alta eficácia.
Os critérios mínimos incluem dor em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais podem ser febre, leucocitose, VHS/PCR elevados e conteúdo cervical mucopurulento.
Não, as diretrizes atuais da OMS (2022) recomendam iniciar antibioticoterapia e manter o DIU, a menos que não haja melhora clínica após 48-72 horas de tratamento ou se a paciente desejar a remoção.
O DIU de levonorgestrel, por liberar progestágeno, pode até ter um efeito protetor contra a DIP a longo prazo, ao contrário dos DIUs de cobre, que podem ter um risco ligeiramente aumentado nos primeiros 20 dias após a inserção.
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