SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2024
Paciente sexo feminino, 40 anos, refere início de corrimento com coloração amarelada e odor desagradável há 1 semana associado a dispareunia profunda. Há 3 dias iniciou com dor em baixo ventre. Nega queixas urinárias e intestinais. Refere ciclos menstruais regulares. G2C2P0A0, laqueadura. Viúva há 7 anos, refere relação sexual ativa com parceria fixa há 6 meses. Ao exame físico: dor a mobilização de colo uterino, dor a palpação de anexo esquerdo. Colo uterino visualizado com saída de secreção purulenta de orifício cervical externo. Teste KOH negativo. Diante da hipótese diagnóstica de doença inflamatória pélvica, qual esquema terapêutico é mais adequado para tratamento ambulatorial:
DIP ambulatorial: Ceftriaxona (gonorreia) + Doxiciclina (clamídia) + Metronidazol (anaeróbios).
O tratamento ambulatorial da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) deve ser de amplo espectro, cobrindo os principais agentes etiológicos: Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e bactérias anaeróbias. A combinação de Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol é o esquema mais adequado para essa cobertura.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de morbidade ginecológica, com consequências graves como dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. A DIP é frequentemente polimicrobiana, envolvendo principalmente *Neisseria gonorrhoeae*, *Chlamydia trachomatis* e bactérias anaeróbias, além de outros patógenos. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado na presença de dor em baixo ventre, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. A presença de corrimento purulento e dispareunia profunda reforçam a suspeita. Dada a gravidade das possíveis sequelas, o tratamento empírico deve ser iniciado prontamente, mesmo antes da confirmação laboratorial dos agentes etiológicos. O esquema terapêutico ambulatorial mais adequado deve oferecer cobertura abrangente para os principais patógenos. O tratamento recomendado para DIP ambulatorial inclui uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona) para cobrir *N. gonorrhoeae*, doxiciclina para *C. trachomatis* e metronidazol para bactérias anaeróbias. Essa combinação garante a erradicação dos agentes mais comuns e reduz o risco de complicações a longo prazo. É crucial orientar a paciente sobre a importância da adesão ao tratamento e o tratamento do(s) parceiro(s) sexual(is) para prevenir reinfecções.
Os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP incluem dor em baixo ventre, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. Critérios adicionais podem ser febre, corrimento vaginal ou cervical purulento, leucocitose e aumento de VHS/PCR.
O metronidazol é incluído para cobrir bactérias anaeróbias, que são frequentemente envolvidas na patogênese da DIP, especialmente em casos de abscesso tubo-ovariano ou quando há associação com vaginose bacteriana. A cobertura de anaeróbios é crucial para o sucesso terapêutico.
As complicações da DIP incluem dor pélvica crônica, infertilidade tubária, gravidez ectópica, abscesso tubo-ovariano e aderências pélvicas. O tratamento precoce e adequado é fundamental para prevenir essas sequelas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo