UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 19a, G0P0, chega ao Pronto Atendimento com quadro de dor abdominal e febre há dois dias. Refere que faz uso de anticoncepcional oral combinado e que a última menstruação foi há sete dias. Sexualmente ativa, não apresenta comorbidades e não faz uso de outras medicações. Exame físico: bom estado geral; FC=82bpm; PA=116x74mmHg; afebril. Abdome: plano, flácido, indolor à palpação. Especular: presença de secreção mucopurulenta fétida coletada em vagina, pequeno sangramento vaginal. Toque vaginal: útero de tamanho e forma normais, sem massas palpáveis, dor à mobilização do colo. O DIAGNÓSTICO É:
Dor abdominal + secreção mucopurulenta + dor à mobilização do colo = DIP até prova em contrário.
A presença de dor abdominal, secreção mucopurulenta no exame especular e dor à mobilização do colo uterino (sinal de Chadwick) são critérios diagnósticos clássicos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP), uma infecção ascendente do trato genital feminino.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica resultante da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, causando inflamação do útero (endometrite), tubas uterinas (salpingite), ovários (ooforite) e peritônio pélvico. É uma das principais causas de infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica em mulheres jovens e sexualmente ativas. A incidência é maior em mulheres com múltiplos parceiros sexuais e sem uso de métodos de barreira. A fisiopatologia envolve a infecção ascendente, geralmente polimicrobiana, com Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae sendo os patógenos mais comuns. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios mínimos como dor à palpação abdominal ou pélvica, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. A presença de secreção mucopurulenta cervical, febre, leucocitose e elevação de PCR/VHS são critérios adicionais que reforçam a suspeita. É crucial suspeitar de DIP em mulheres jovens com dor pélvica e fatores de risco. O tratamento da DIP é essencialmente antibiótico, visando cobrir os patógenos mais comuns. A escolha do esquema terapêutico (ambulatorial ou hospitalar) depende da gravidade do quadro e da resposta inicial. O tratamento precoce e adequado é fundamental para prevenir sequelas a longo prazo, como infertilidade e dor pélvica crônica. É importante também tratar os parceiros sexuais para evitar reinfecção e disseminação da doença.
Os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP incluem dor à palpação abdominal ou pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, secreção mucopurulenta cervical e elevação de marcadores inflamatórios podem apoiar o diagnóstico.
A dor à mobilização do colo, conhecida como sinal de Chadwick, indica inflamação e irritação do peritônio pélvico e das estruturas anexiais, sendo um achado clássico e altamente sugestivo de DIP, mesmo na ausência de outros sinais mais evidentes.
Os agentes etiológicos mais comuns da DIP são bactérias sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, frequentemente em associação com bactérias da flora vaginal, resultando em uma infecção polimicrobiana.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo