Doença Inflamatória Pélvica: Manejo e Conduta com DIU

UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020

Enunciado

Diante de uma paciente com doença inflamatória pélvica (DIP) o tratamento deve ser instituído. Com relação a terapêutica, é INCORRETO afirmar: 

Alternativas

  1. A) É aconselhado o tratamento do parceiro. 
  2. B) No caso de usuária de DIU, o mesmo deve ser retirado imediatamente. 
  3. C) A Doxiciclina é usada no tratamento ambulatorial. 
  4. D) No caso de resistência ao tratamento antibiótico a cirurgia pode ser cogitada. 

Pérola Clínica

DIP + DIU: NÃO retirar DIU rotineiramente, a menos que não haja melhora clínica em 48-72h.

Resumo-Chave

Embora o DIU seja um fator de risco para DIP, sua retirada imediata não é recomendada rotineiramente no início do tratamento antibiótico. A maioria das diretrizes sugere manter o DIU e reavaliar a necessidade de remoção apenas se não houver melhora clínica após 48-72 horas de antibioticoterapia, pois a retirada pode disseminar a infecção.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica resultante da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior, causando inflamação do útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição comum, especialmente em mulheres jovens e sexualmente ativas, e pode levar a complicações graves como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. O tratamento da DIP é essencialmente antibiótico e deve ser instituído prontamente para evitar sequelas. Esquemas ambulatoriais e hospitalares estão disponíveis, dependendo da gravidade do quadro. A doxiciclina é um componente comum do tratamento ambulatorial, cobrindo patógenos como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. É crucial também o tratamento do parceiro sexual para evitar reinfecção. Em relação ao DIU, embora seu uso seja um fator de risco para DIP nos primeiros meses após a inserção, a retirada imediata do dispositivo em caso de DIP não é a conduta padrão. As diretrizes atuais recomendam manter o DIU e iniciar a antibioticoterapia. A remoção só deve ser considerada se não houver melhora clínica significativa após 48-72 horas de tratamento, pois a manipulação pode, paradoxalmente, agravar a infecção. A cirurgia é uma opção para casos refratários ou complicados, como abscessos.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento ambulatorial recomendado para DIP?

O tratamento ambulatorial para DIP geralmente inclui uma combinação de antibióticos, como ceftriaxona intramuscular em dose única, seguida de doxiciclina oral por 14 dias, com ou sem metronidazol.

É necessário tratar o parceiro sexual de uma paciente com DIP?

Sim, é fundamental tratar o parceiro sexual da paciente com DIP para prevenir reinfecção e a disseminação de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), mesmo que ele seja assintomático.

Quando a cirurgia é considerada no tratamento da DIP?

A cirurgia é cogitada em casos de resistência ao tratamento antibiótico, formação de abscesso tubo-ovariano que não responde à terapia clínica, ruptura de abscesso ou quando há dúvida diagnóstica.

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