Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Mulher de 23 anos refere dor abdominal em região hipogástrica há 1 semana, de forte intensidade, acompanhada de febre baixa. Refere ainda dispareunia, não faz uso métodos contraceptivos e não se lembra da data da última menstruação. Já teve mais de um parceiro sexual e tricomoníase há seis anos. Nega leucorreia de odor fétido. G1 P0 A1. Já realizou curetagem uterina devido a aborto espontâneo de primeiro trimestre, há dois anos. No exame físico, PA 115 x 75 mmHg; FC: 102 bpm; FR: 20 irpm, pulsos cheios e simétricos; Temperatura: 38.5ºC. Abdome: Plano, ruídos hidroaéreos presentes, dor à palpação superficial e profunda nas fossas ilíacas e hipogástrio, timpanismo predominante à percussão, sem abaulamentos e retrações abdominais. Sinal de Candelabro presente. O diagnóstico da paciente é
Dor abdominal hipogástrica + febre + dispareunia + fatores de risco IST + Sinal de Candelabro = Doença Inflamatória Pélvica (DIP).
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é um diagnóstico clínico comum em mulheres jovens com múltiplos parceiros sexuais e histórico de ISTs ou procedimentos uterinos. A tríade de dor pélvica, febre e dor à mobilização do colo uterino (Sinal de Candelabro) é altamente sugestiva.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, resultando em inflamação do útero (endometrite), tubas uterinas (salpingite) e ovários (ooforite), podendo levar à peritonite pélvica. É uma condição comum em mulheres jovens sexualmente ativas e representa uma importante causa de morbidade ginecológica, incluindo dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. A epidemiologia está fortemente ligada à prevalência de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. A fisiopatologia envolve a infecção ascendente, frequentemente polimicrobiana. Os fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, histórico de ISTs, ausência de uso de métodos contraceptivos de barreira, e procedimentos intrauterinos que podem comprometer a barreira cervical. O diagnóstico da DIP é essencialmente clínico, baseado na presença de dor pélvica ou abdominal inferior, associada a um ou mais dos seguintes critérios: dor à palpação anexial, dor à mobilização do colo uterino (Sinal de Candelabro) e febre. Critérios adicionais como leucorreia purulenta, elevação de marcadores inflamatórios e evidência laboratorial de infecção por gonorreia ou clamídia reforçam o diagnóstico. O tratamento da DIP é empírico e deve ser iniciado precocemente para prevenir complicações. Geralmente envolve antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo os principais patógenos. A escolha entre tratamento ambulatorial ou hospitalar depende da gravidade do quadro e da presença de complicações. É crucial que o residente saiba reconhecer os sinais e sintomas da DIP, identificar os fatores de risco e iniciar o tratamento adequado, considerando as implicações a longo prazo para a saúde reprodutiva da mulher.
Os principais fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, histórico de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uso de DIU (especialmente nos primeiros meses), e procedimentos intrauterinos como curetagem.
O Sinal de Candelabro é a dor intensa à mobilização do colo uterino durante o exame ginecológico. É um achado clássico da DIP, indicando inflamação pélvica e sendo um critério diagnóstico importante.
A diferenciação envolve a avaliação dos sintomas (febre, dispareunia, leucorreia), fatores de risco (ISTs, múltiplos parceiros), e achados do exame físico (Sinal de Candelabro, dor anexial). Exames complementares como beta-HCG, ultrassonografia pélvica e exames de urina são úteis para excluir gravidez ectópica, apendicite ou infecção urinária.
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