HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Uma paciente de 21 anos de idade procura atendimento na emergência em razão de dor em abdome inferior e dois episódios de febre não aferida nas duas últimas semanas. Apresentou agravamento significativo do quadro há um dia, com piora do estado geral. Antecedentes: união estável, G0P0, faz uso de método contraceptivo hormonal oral e não recorda a DUM. Relata hábitos fisiológicos inalterados. Ao exame físico, destacam-se temperatura axilar = 39,1 oC, PA = 112 mmHg X 59 mmHg, FC = 109 bpm e abdome doloroso à palpação, sem dor à descompressão brusca. O exame especular evidencia secreção vaginal abundante, com aspecto purulento e odor fétido. Ao toque vaginal, nota-se dor à mobilização do colo uterino e anexos. Na ecografia transvaginal, há presença de pequena quantidade de líquido livre e espesso no fundo de saco de Douglas, sem outras alterações. Acerca desse caso clínico, julgue o item.O diagnóstico é doença inflamatória pélvica, indicando-se internação para antibioticoterapia e abordagem cirúrgica para drenagem de abscesso tubo-ovariano.
DIP com líquido livre em Douglas SEM abscesso evidente → tratamento clínico com ATB, cirurgia NÃO é conduta inicial.
Embora o quadro seja compatível com Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e a internação para antibioticoterapia seja indicada, a presença de "pequena quantidade de líquido livre e espesso no fundo de saco de Douglas, sem outras alterações" não configura um abscesso tubo-ovariano que exija drenagem cirúrgica imediata. A abordagem inicial é clínica.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, resultando em inflamação do útero, tubas uterinas e ovários. É uma causa comum de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios mínimos como dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, secreção vaginal purulenta, leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios apoiam o diagnóstico. A ultrassonografia pode mostrar espessamento das tubas, líquido livre ou, em casos mais avançados, abscesso tubo-ovariano. O tratamento da DIP é primariamente com antibioticoterapia. A internação é indicada em casos de gravidade, falha do tratamento ambulatorial, gestação, imunodeficiência ou suspeita de abscesso. A abordagem cirúrgica, como drenagem de abscesso tubo-ovariano, é reservada para casos de abscessos grandes que não respondem ao tratamento clínico ou que se rompem, e não para a simples presença de líquido livre inflamatório no fundo de saco de Douglas.
Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, secreção vaginal purulenta e leucocitose reforçam o diagnóstico.
A internação é indicada para pacientes com DIP grave, gestantes, imunocomprometidas, falha do tratamento ambulatorial, suspeita de abscesso tubo-ovariano ou diagnóstico incerto que necessite de investigação.
Não. Pequenas quantidades de líquido livre podem ser inflamatórias e não representam um abscesso formado. O abscesso tubo-ovariano é uma massa complexa com características específicas na imagem e geralmente requer drenagem se não houver resposta ao tratamento clínico.
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