UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Adolescente, 18a, G1P1, vem ao pronto socorro referindo corrimento vaginal e dor em baixo ventre há 2 dias. Antecedentes pessoais: método anticoncepcional: DIU de cobre há 1 ano, Data última Menstruação: 7 dias. Exame físico: bom estado geral, PA=120x80 mmHg, FC=72 bpm; abdome: plano, flácido, doloroso à palpação superficial em baixo ventre, sem descompressão brusca dolorosa; exame especular: presença de secreção endocervical em moderada quantidade, com hiperemia leve do colo uterino, cauda do DIU 2 cm. Toque vaginal: útero anteversofletido de tamanho normal, com dor à mobilização do colo e à palpação anexial. A CONDUTA É:
DIP com DIU → não remover DIU inicialmente, tratar com Ceftriaxona + Doxiciclina + Metronidazol.
A presença de DIU não é uma contraindicação para o tratamento ambulatorial da DIP, e a remoção do DIU não é indicada de rotina na fase aguda, a menos que não haja melhora clínica em 48-72h. O esquema terapêutico deve cobrir gonococos, clamídias e anaeróbios.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica resultante da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior, afetando útero, tubas uterinas e ovários. É uma causa comum de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica, sendo crucial seu diagnóstico e tratamento precoces. A presença de um DIU de cobre pode aumentar o risco de DIP nos primeiros 20 dias após a inserção, mas o risco a longo prazo é baixo. O diagnóstico de DIP é clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor anexial. Exames complementares como ultrassonografia e marcadores inflamatórios podem auxiliar, mas não são essenciais para iniciar o tratamento. O tratamento ambulatorial é preferível para casos leves a moderados, utilizando antibióticos que cubram Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e anaeróbios, como Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol. A conduta em relação ao DIU é um ponto importante. Diferente do que muitos pensam, a remoção do DIU não é indicada de rotina no tratamento da DIP, pois não há evidências de que melhore o prognóstico e pode até causar bacteremia. O DIU deve ser mantido e o tratamento antibiótico instituído. A remoção é considerada apenas se não houver melhora clínica significativa após 48-72 horas de antibioticoterapia.
Os critérios mínimos incluem dor em baixo ventre, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, corrimento e elevação de marcadores inflamatórios podem estar presentes.
O esquema mais comum inclui Ceftriaxona IM dose única, Doxiciclina oral por 14 dias e Metronidazol oral por 14 dias, cobrindo os principais patógenos gonococos, clamídias e anaeróbios.
Não, a remoção do DIU não é recomendada de rotina na fase aguda. O DIU deve ser mantido e o tratamento antibiótico iniciado, reavaliando a remoção apenas se não houver melhora clínica em 48-72 horas.
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