INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma mulher com 26 anos de idade, profissional do sexo, é usuária de DIU de cobre há um ano. Ela procura uma Unidade Básica de Saúde com queixa de dor abdominal em hipogástrio associada a corrimento de odor fétido; nega febre. Relata que sua última menstruação ocorreu há sete dias. Ao exame físico, verifica-se abdome doloroso à palpação profunda em hipogástrio e ruídos hidroaéreos preservados; observa-se presença de conteúdo vaginal bolhoso, amarelado, com odor fétido, útero de tamanho normal e anexos de tamanho normal, dolorosos à palpação bilateralmente. De acordo com esse quadro clínico, a conduta indicada é:
DIP leve/moderada em usuária de DIU → Tratar ambulatorialmente e MANTER o DIU.
Na DIP, a presença do DIU não obriga sua retirada imediata; o tratamento ambulatorial é seguro para casos leves a moderados, mantendo o dispositivo.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o superior. Embora o DIU tenha sido historicamente associado a um risco aumentado de DIP, sabe-se hoje que esse risco é restrito aos primeiros 20 dias após a inserção, relacionado à técnica e não ao dispositivo em si. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Hager (dor à palpação anexial, dor à mobilização do colo uterino e dor no hipogástrio). No caso clínico apresentado, a paciente tem estabilidade hemodinâmica e ausência de sinais de gravidade (como febre), o que permite o tratamento ambulatorial. A manutenção do DIU preserva o método contraceptivo da paciente sem prejudicar a cura da infecção, desde que o esquema antibiótico de amplo espectro seja seguido rigorosamente.
Não é necessária a retirada rotineira do DIU em pacientes com Doença Inflamatória Pélvica (DIP) leve ou moderada. Estudos demonstram que o desfecho clínico e a resposta ao tratamento antibiótico são semelhantes entre mulheres que mantêm ou retiram o dispositivo. A retirada deve ser considerada apenas se não houver melhora clínica após 48 a 72 horas de tratamento antibiótico adequado ou se a paciente desejar a remoção.
O esquema padrão recomendado pelo Ministério da Saúde e CDC envolve uma dose única de Ceftriaxona 500mg IM (para cobrir gonococo), seguida de Doxiciclina 100mg VO de 12/12h por 14 dias (para clamídia) e Metronidazol 500mg VO de 12/12h por 14 dias (para anaeróbios). O metronidazol é essencial, especialmente em usuárias de DIU, devido à associação frequente com vaginose bacteriana e anaeróbios.
Os critérios de internação para tratamento parenteral incluem: gravidez, falta de resposta clínica ao tratamento oral após 72h, intolerância a antibióticos orais, quadro clínico grave (febre alta, náuseas, vômitos, sinais de irritação peritoneal), suspeita de abscesso tubo-ovariano ou impossibilidade de exclusão de emergências cirúrgicas (como apendicite).
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