Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Manejo Ambulatorial

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 22 anos, nuligesta, em uso de anticoncepcional de forma regular, com vida sexual ativa e sem parceiro fixo, procura o consultório de ginecologia com queixa de secreção vaginal, dispareunia e dor pélvica há 10 dias. Nega febre até o momento. Ao exame físico, detectamos secreção vaginal mucopurulenta com odor fétido, dor a palpação de baixo ventre, sem sinais de peritonite e dor a mobilização de útero e anexos. Diante disso, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) A paciente acima necessita de internação para a realização de tomografia com urgência e posterior avaliação da equipe de cirurgia geral.
  2. B)  Encaminhar a paciente para internação hospitalar e antibioticoterapia endovenosa por 14 dias.
  3. C) Colher cultura da secreção vaginal e aguardar o resultado para o tratamento guiado pelo antibiograma.
  4. D) Realizado o diagnóstico de doença inflamatória pélvica, iniciar antibioticoterapia via oral e reavaliação em 72 horas.
  5. E) A paciente apresenta como provável diagnóstico a Síndrome do ovário policístico, sendo necessário exames de imagem para confirmação.

Pérola Clínica

DIP: dor pélvica, secreção mucopurulenta, dor à mobilização de anexos → tratamento ambulatorial com ATB oral.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é um diagnóstico clínico e o tratamento empírico deve ser iniciado prontamente para evitar sequelas. A internação é reservada para casos graves ou com complicações, e a antibioticoterapia oral é eficaz para casos leves a moderados.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade e dor pélvica crônica em mulheres jovens e sexualmente ativas. A prevalência é maior em mulheres com múltiplos parceiros sexuais, histórico de DIP e uso de DIU (especialmente nos primeiros meses). A DIP é geralmente causada pela ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino, sendo os mais comuns Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em critérios mínimos como dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor à palpação uterina/anexial. Exames complementares como ultrassonografia e exames laboratoriais (leucocitose, VHS/PCR elevados) podem auxiliar, mas não devem atrasar o início do tratamento. O tratamento da DIP é empírico e deve ser iniciado o mais rápido possível para evitar sequelas. A antibioticoterapia oral é a conduta inicial para casos leves a moderados, com esquemas que cobrem gonococos, clamídias e anaeróbios (ex: Ceftriaxona IM dose única + Doxiciclina VO por 14 dias, com ou sem Metronidazol). A reavaliação em 72 horas é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e considerar a internação em caso de falha terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor pélvica baixa, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação uterina ou anexial. Critérios adicionais como febre, secreção mucopurulenta e leucocitose podem apoiar o diagnóstico.

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada para casos graves (febre alta, náuseas/vômitos), suspeita de abscesso tubo-ovariano, gestantes, imunocomprometidas, falha do tratamento ambulatorial ou quando o diagnóstico é incerto.

Qual a importância do tratamento precoce da DIP?

O tratamento precoce da DIP é crucial para prevenir complicações a longo prazo, como infertilidade tubária, gravidez ectópica, dor pélvica crônica e formação de abscesso tubo-ovariano.

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