DIP: Diagnóstico e Tratamento Empírico Essencial

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 25 anos, em atendimento ambulatorial, queixa-se de corrimento amarelado associado a disúria, dispareunia e sinusiorragia. Ao exame físico, apresenta abdome flácido e indolor, colo hiperemiado com material mucopurulento em seu orifício externo, que sangra ao toque da espátula. Toque vaginal doloroso na mobilização do colo. Diante deste quadro clínico, qual o tratamento mais adequado?

Alternativas

  1. A) Metronidazol 250 mg, dois comprimidos via oral, duas vezes por dia, por sete dias.
  2. B) Azitromicina 500 mg, dois comprimidos, via oral em dose única.
  3. C) Ceftriaxona 500 mg IM e Azitromicina 500 mg, dois comprimidos via oral em dose única.
  4. D) Doxiciclina 100 mg e Metronidazol 250 mg, via oral, um comprimido de cada um, duas vezes por dia, durante 14 dias.

Pérola Clínica

Cervicite mucopurulenta + dor à mobilização do colo → DIP. Tratar empiricamente com Ceftriaxona + Azitromicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de corrimento amarelado, disúria, dispareunia, sinusiorragia, colo hiperemiado com material mucopurulento e dor à mobilização do colo é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). O tratamento empírico recomendado abrange os principais agentes etiológicos, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, utilizando Ceftriaxona e Azitromicina.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, com alta prevalência e impacto significativo na saúde reprodutiva. A DIP é uma das principais causas de infertilidade tubária e gravidez ectópica, tornando seu diagnóstico e tratamento precoces cruciais. A fisiopatologia envolve a infecção ascendente, geralmente polimicrobiana, com Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae sendo os patógenos mais comuns. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em sintomas como dor pélvica, corrimento vaginal, dispareunia e dor à mobilização do colo uterino no exame físico. A suspeita deve ser alta em mulheres com fatores de risco, como múltiplos parceiros sexuais e histórico de ISTs. O tratamento da DIP é empírico e deve cobrir os principais agentes etiológicos. O esquema recomendado inclui Ceftriaxona (para gonorreia) e Azitromicina (para clamídia), frequentemente associados a Metronidazol para cobrir anaeróbios, especialmente em casos mais graves ou com suspeita de abscesso. O prognóstico é melhor com o tratamento precoce e adequado, que minimiza o risco de sequelas reprodutivas. Pontos de atenção incluem a necessidade de rastreamento e tratamento de parceiros sexuais, aconselhamento sobre práticas sexuais seguras e acompanhamento para garantir a resolução da infecção e a avaliação de possíveis complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. Critérios adicionais podem ser febre, corrimento mucopurulento, leucocitose, VHS/PCR elevadas e evidência laboratorial de infecção por gonorreia ou clamídia.

Por que o tratamento da DIP deve cobrir Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae?

Esses são os principais agentes etiológicos da DIP. A cobertura para ambos é crucial para um tratamento eficaz e para prevenir complicações a longo prazo, como infertilidade e gravidez ectópica.

Quais são as complicações a longo prazo de uma DIP não tratada ou tratada inadequadamente?

As complicações incluem dor pélvica crônica, infertilidade tubária, gravidez ectópica e aumento do risco de abscesso tubo-ovariano, que pode exigir intervenção cirúrgica.

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