AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020
Paciente refere dor à palpação abdominal mais intensa em ambas as fossas ilíacas. Ao exame ginecológico, apresenta: leucorreia, útero de volume normal, dor à mobilização do colo uterino e dor intensa à palpação dos anexos. É sexualmente ativa e nega uso de preservativo (condom). Qual o diagnóstico mais provável?
Mulher sexualmente ativa com dor pélvica, leucorreia, dor à mobilização do colo e anexial → DIP até prova em contrário.
O quadro clínico (dor em fossas ilíacas, leucorreia, dor à mobilização do colo e anexial, vida sexual ativa sem proteção) é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A DIP é uma infecção do trato genital superior feminino, frequentemente causada por ISTs, e seu diagnóstico é clínico.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero (endometrite), tubas uterinas (salpingite), ovários (ooforite) e estruturas adjacentes (parametrite, peritonite pélvica). É uma das principais causas de dor pélvica aguda em mulheres jovens e sexualmente ativas, sendo frequentemente uma complicação de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino para o trato genital superior. O diagnóstico da DIP é essencialmente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Outros achados podem incluir leucorreia, febre, sangramento uterino anormal e disúria. A ausência de febre ou leucocitose não exclui o diagnóstico. O tratamento da DIP é empírico e deve ser iniciado precocemente para prevenir sequelas a longo prazo, como dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O esquema antimicrobiano deve cobrir os principais patógenos, incluindo gonococos, clamídias e bactérias anaeróbias. A internação hospitalar é indicada para casos graves, gestantes, falha do tratamento ambulatorial ou quando há suspeita de abscesso tubo-ovariano. A educação sobre sexo seguro e rastreamento de ISTs são medidas preventivas fundamentais.
Os critérios mínimos para o diagnóstico clínico de DIP incluem dor à palpação abdominal em região pélvica ou em fossas ilíacas, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial (sensibilidade anexial). Geralmente, esses achados são acompanhados de leucorreia ou corrimento vaginal anormal.
A história sexual é crucial, pois a DIP é frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Mulheres sexualmente ativas, especialmente com múltiplos parceiros ou sem uso de preservativo, têm maior risco.
A DIP se diferencia pela presença de dor à mobilização do colo e sensibilidade anexial, frequentemente associada a leucorreia e história de risco para IST. A gestação ectópica deve ser excluída com teste de gravidez, e a endometriose geralmente cursa com dor pélvica crônica, dismenorreia e dispareunia, sem sinais infecciosos agudos.
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