Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Sinais Chave

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020

Enunciado

Paciente refere dor à palpação abdominal mais intensa em ambas as fossas ilíacas. Ao exame ginecológico, apresenta: leucorreia, útero de volume normal, dor à mobilização do colo uterino e dor intensa à palpação dos anexos. É sexualmente ativa e nega uso de preservativo (condom). Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Endometriose.
  2. B) Doença inflamatória pélvica.
  3. C) Gestação ectópica.
  4. D) Vaginose bacteriana.

Pérola Clínica

Mulher sexualmente ativa com dor pélvica, leucorreia, dor à mobilização do colo e anexial → DIP até prova em contrário.

Resumo-Chave

O quadro clínico (dor em fossas ilíacas, leucorreia, dor à mobilização do colo e anexial, vida sexual ativa sem proteção) é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A DIP é uma infecção do trato genital superior feminino, frequentemente causada por ISTs, e seu diagnóstico é clínico.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero (endometrite), tubas uterinas (salpingite), ovários (ooforite) e estruturas adjacentes (parametrite, peritonite pélvica). É uma das principais causas de dor pélvica aguda em mulheres jovens e sexualmente ativas, sendo frequentemente uma complicação de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino para o trato genital superior. O diagnóstico da DIP é essencialmente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Outros achados podem incluir leucorreia, febre, sangramento uterino anormal e disúria. A ausência de febre ou leucocitose não exclui o diagnóstico. O tratamento da DIP é empírico e deve ser iniciado precocemente para prevenir sequelas a longo prazo, como dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O esquema antimicrobiano deve cobrir os principais patógenos, incluindo gonococos, clamídias e bactérias anaeróbias. A internação hospitalar é indicada para casos graves, gestantes, falha do tratamento ambulatorial ou quando há suspeita de abscesso tubo-ovariano. A educação sobre sexo seguro e rastreamento de ISTs são medidas preventivas fundamentais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos mínimos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos para o diagnóstico clínico de DIP incluem dor à palpação abdominal em região pélvica ou em fossas ilíacas, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial (sensibilidade anexial). Geralmente, esses achados são acompanhados de leucorreia ou corrimento vaginal anormal.

Qual a importância da história sexual na suspeita de DIP?

A história sexual é crucial, pois a DIP é frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Mulheres sexualmente ativas, especialmente com múltiplos parceiros ou sem uso de preservativo, têm maior risco.

Como diferenciar DIP de outras causas de dor pélvica aguda, como gestação ectópica ou endometriose?

A DIP se diferencia pela presença de dor à mobilização do colo e sensibilidade anexial, frequentemente associada a leucorreia e história de risco para IST. A gestação ectópica deve ser excluída com teste de gravidez, e a endometriose geralmente cursa com dor pélvica crônica, dismenorreia e dispareunia, sem sinais infecciosos agudos.

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