UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
Paciente de 35 anos, G1P1, teve seu último parto há 2 anos. Não tem parceiro fixo. Está internada na enfermaria de ginecologia devido a um quadro de dor pélvica aguda iniciado há 10 dias, febre 38,6 ºC (referida pela paciente). Refere corrimento fétido. Exame físico: PA 100x70 mmHg, pulso 104 bpm, temperatura axilar 38,5 ºC. Mamas sem alterações. Exame de abdome: dor à palpação na fossa ilíaca esquerda. Especular: conteúdo muco purulento, colo friável, junção escamo colunar -2. Toque: dor à mobilização do colo uterino, sensibilidade aumentada no anexo esquerdo. Exames laboratoriais: VHS 25 mm/H; Hb 10,5; hematócrito 30; leucócitos 11000/mm³ . Ecografia pélvica endovaginal: útero em anteversoflexão (AVF) medindo 7x5x7 cm. Volume uterino: 122,5 cm³ . Endométrio 9 mm. Massa anexial à esquerda medindo 8x6x5 cm cística com debris no seu interior, conteúdo amorfo. A conduta adequada para esse caso é:
DIP grave + massa anexial (abscesso) → Internação, Clindamicina + Gentamicina IV.
O quadro clínico (dor pélvica, febre, corrimento fétido, dor à mobilização do colo e anexial) associado à massa anexial com debris na ultrassonografia sugere Doença Inflamatória Pélvica (DIP) complicada com abscesso tubo-ovariano. A internação e o tratamento antibiótico intravenoso com cobertura para anaeróbios e gram-negativos (Clindamicina + Gentamicina) são a conduta adequada.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver o útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, com múltiplos parceiros. A apresentação clínica varia de assintomática a quadros graves com dor pélvica aguda, febre, corrimento fétido e dor à mobilização do colo e anexial. A presença de uma massa anexial com debris na ultrassonografia é altamente sugestiva de abscesso tubo-ovariano, uma complicação grave da DIP. O diagnóstico da DIP é primariamente clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico. Exames laboratoriais como VHS e leucocitose podem apoiar o diagnóstico. A ultrassonografia pélvica é fundamental para identificar complicações como o abscesso tubo-ovariano. A paciente apresenta critérios para internação hospitalar devido à gravidade do quadro e à presença do abscesso. O tratamento da DIP complicada com abscesso tubo-ovariano requer antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, com cobertura para bactérias aeróbias e anaeróbias, incluindo Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. O esquema Clindamicina + Gentamicina é uma das opções recomendadas, com manutenção do tratamento IV até melhora clínica e posterior transição para via oral para completar 14 dias. A cirurgia é reservada para casos de falha terapêutica ou complicações.
Os critérios incluem suspeita de abscesso tubo-ovariano, gravidez, falha do tratamento ambulatorial, intolerância à medicação oral, doença grave, náuseas/vômitos, febre alta e imunodeficiência.
O esquema intravenoso preferencial é Clindamicina associada à Gentamicina, ou Cefoxitina/Cefotetana com Doxiciclina, cobrindo anaeróbios e gram-negativos.
A cirurgia é indicada quando há falha do tratamento antibiótico, abscesso de grande volume, ruptura do abscesso ou em casos de dúvida diagnóstica.
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