DIP em Usuárias de DIU: Diagnóstico e Manejo Atual

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024

Enunciado

Nuligesta, 26 anos, vem ao pronto atendimento queixando de corrimento fétido há 10 dias e dor no baixo ventre há sete dias. Nega febre, vômitos ou diarreia. Usa dispositivo intrauterino (DIU) de cobre há um ano. Ao exame, observa-se conteúdo vaginal de coloração esverdeada e odor fétido, dor à palpação profunda de hipogástrio, e ao toque vaginal apresenta dor à mobilização do colo e palpação de anexos. Qual o manejo mais adequado para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Internação hospitalar, clindamicina e gentamicina, manter DIU.
  2. B) Tratamento ambulatorial, azitromicina, ceftriaxona e metronidazol, retirar DIU.
  3. C) Tratamento ambulatorial, doxiciclina, ceftriaxona e metronidazol, manter DIU.
  4. D) Internação hospitalar, penicilina cristalina e ceftriaxona, retirar DIU.
  5. E) Tratamento ambulatorial, ciproflocaxino, metronidazol e retirar DIU.

Pérola Clínica

DIP em usuária de DIU sem critérios de internação → tratamento ambulatorial com ATB e manter DIU.

Resumo-Chave

Em pacientes com Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e DIU, na ausência de critérios de internação (febre alta, abscesso, falha terapêutica, gravidez, imunodeficiência), o tratamento é ambulatorial com antibioticoterapia de amplo espectro, e o DIU geralmente não precisa ser removido, a menos que não haja melhora clínica.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma causa comum de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica, sendo crucial seu diagnóstico e tratamento precoces. Em pacientes usuárias de DIU, a DIP é uma preocupação, embora o risco seja maior nos primeiros 20 dias após a inserção e, posteriormente, comparável ao de mulheres sem DIU. O DIU de cobre não aumenta o risco de DIP a longo prazo, e sua remoção não é rotineiramente indicada no manejo da DIP, a menos que haja falha terapêutica ou abscesso. A antibioticoterapia deve ser de amplo espectro, cobrindo os principais patógenos como Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e bactérias anaeróbias. O manejo adequado da DIP, seja ambulatorial ou hospitalar, é fundamental para prevenir sequelas a longo prazo. A decisão de internação baseia-se em critérios clínicos bem definidos. Para residentes, é vital reconhecer os sinais e sintomas da DIP, diferenciar de outras causas de dor pélvica e aplicar o protocolo de tratamento mais atualizado, considerando a presença de DIU.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP incluem dor à palpação abdominal no hipogástrio, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação de anexos no exame pélvico. Critérios adicionais podem incluir febre, corrimento cervical ou vaginal anormal, leucocitose e elevação de PCR/VHS.

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada para pacientes grávidas, com suspeita de abscesso tubo-ovariano, DIP grave (febre alta, náuseas, vômitos), imunodeficiência, falha ao tratamento ambulatorial, ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.

Qual o esquema antibiótico ambulatorial recomendado para DIP?

O esquema ambulatorial mais comum inclui Ceftriaxona (dose única intramuscular) para cobrir gonorreia, associada a Doxiciclina (oral por 14 dias) para clamídia e Metronidazol (oral por 14 dias) para anaeróbios. Essa combinação oferece amplo espectro contra os principais patógenos da DIP.

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