Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Tratamento

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 26 anos, solteira, nuligesta, relata dor em baixo ventre há cerca de uma semana. Nega alterações urinárias ou gastrointestinais. Sua última menstruação normal se encerrou há cerca de 4 dias. Refere parceiro sexual único, tendo o relacionamento se iniciado há cerca de dois meses; uso de preservativo como método anticoncepcional apenas no período fértil. Ao exame: bom estado geral, TAX: 38,3 °C, dor à palpação do abdome inferior, negativa à manobra de descompressão brusca e ruídos hidroaéreos presentes. Exame ginecológico: hiperemia no colo uterino com secreção amarelada em orifício externo, presença de leucorreia amarelada e, ao toque vaginal, dor significativa à mobilização do útero, sem massas palpáveis. Diante deste quadro e da hipótese diagnóstica mais provável, qual a melhor conduta terapêutica?

Alternativas

  1. A) Tratamento em regime hospitalar com Clindamicina e Ampicilina endovenosos por 14 dias.
  2. B) Tratamento em regime hospitalar com Ceftriaxona e Metronidazol endovenosos por 14 dias.
  3. C) Tratamento em regime ambulatorial com Ceftriaxona IM dose única associado à Doxiciclina e Metronidazol, via oral por 14 dias.
  4. D) Tratamento em regime ambulatorial com com Ceftriaxona IM, dose única, acrescido de Azitromicina, via oral, dose única.

Pérola Clínica

Suspeita de DIP (dor pélvica, febre, cervicite, dor à mobilização) → Ceftriaxona IM + Doxiciclina VO + Metronidazol VO.

Resumo-Chave

O quadro clínico da paciente, com dor pélvica, febre, cervicite mucopurulenta e dor à mobilização do colo uterino, é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). O tratamento ambulatorial é a conduta preferencial para casos leves a moderados, e o esquema recomendado inclui cobertura para gonorreia, clamídia e anaeróbios.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior, causando inflamação do útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. A paciente do caso apresenta múltiplos sinais e sintomas sugestivos de DIP, como dor em baixo ventre, febre, cervicite mucopurulenta e dor à mobilização do colo uterino, além de fatores de risco como vida sexual ativa com novo parceiro e uso inconsistente de preservativo. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado nos critérios mínimos e adicionais. A exclusão de outras condições com sintomas semelhantes, como apendicite, gravidez ectópica ou cistite, é fundamental. O tratamento visa erradicar os patógenos e prevenir sequelas. Para casos leves a moderados, o tratamento ambulatorial é eficaz e preferível. O esquema terapêutico deve cobrir os principais agentes etiológicos, que são Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e bactérias anaeróbias. A combinação de Ceftriaxona (para gonorreia), Doxiciclina (para clamídia) e Metronidazol (para anaeróbios) é o regime de escolha, administrado por 14 dias. A internação é reservada para casos mais graves ou com complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor à palpação do abdome inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, leucorreia, VHS/PCR elevados e cervicite mucopurulenta aumentam a probabilidade.

Qual o esquema antibiótico recomendado para tratamento ambulatorial da DIP?

O esquema ambulatorial mais comum inclui Ceftriaxona 500 mg IM dose única (para gonorreia) associada a Doxiciclina 100 mg VO 2x/dia por 14 dias (para clamídia e outros) e Metronidazol 500 mg VO 2x/dia por 14 dias (para anaeróbios).

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada em casos de DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, abscesso tubo-ovariano), gestação, falha do tratamento ambulatorial, imunodeficiência, ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.

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