DIP Aguda: Critérios de Internação e Tratamento Parenteral

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 33 anos de idade, procura pronto atendimento com um quadro de dor pélvica iniciada há 3 dias após a menstruação. Ao exame, a paciente apresenta-se febril (38ºC), com presença de secreção purulenta no colo uterino, mobilização uterina dolorosa ao toque e dor à descompressão na palpação do abdome inferior. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale qual a conduta imediata a ser tomada.

Alternativas

  1. A) Tratamento ambulatorial com doxiciclina por 14 dias.
  2. B) Internação para videolaparoscopia.
  3. C) Internação e prescrição de clindamicina + gentamicina parenterais.
  4. D) Observação ambulatorial e retorno após exames de urina, hemograma e ultrassonografia vaginal.

Pérola Clínica

DIP com febre, secreção purulenta e dor à mobilização → internação + Clindamicina + Gentamicina IV.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção grave do trato genital superior feminino. A presença de febre, secreção purulenta e sinais de peritonite (dor à descompressão) ou irritação pélvica (mobilização uterina dolorosa) indica um quadro mais grave que exige internação e antibioticoterapia parenteral, como Clindamicina e Gentamicina.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma causa comum de dor pélvica aguda em mulheres jovens e sexualmente ativas. A DIP não tratada ou tratada inadequadamente pode levar a complicações graves, como infertilidade, gravidez ectópica, dor pélvica crônica e formação de abscesso tubo-ovariano. O diagnóstico da DIP é essencialmente clínico, baseado na presença de dor pélvica, associada a um ou mais dos seguintes critérios: dor à mobilização do colo uterino, dor à palpação uterina ou dor à palpação anexial. Critérios adicionais para aumentar a especificidade incluem febre, secreção cervical purulenta, leucocitose e aumento de PCR/VHS. A presença de febre, secreção purulenta e sinais de irritação peritoneal (como dor à descompressão) ou inflamação pélvica (mobilização uterina dolorosa) indica um quadro mais grave que exige atenção imediata. A conduta terapêutica depende da gravidade do quadro. Pacientes com DIP leve a moderada podem ser tratadas ambulatorialmente. No entanto, a presença de critérios de gravidade, como os descritos na questão (febre, secreção purulenta, dor à mobilização uterina e dor à descompressão), exige internação hospitalar para antibioticoterapia parenteral. O esquema Clindamicina + Gentamicina é uma opção eficaz, cobrindo um amplo espectro de patógenos, incluindo anaeróbios e gram-negativos, que são frequentemente implicados na DIP. A escolha do tratamento adequado é crucial para prevenir sequelas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) aguda?

Os principais sinais e sintomas incluem dor pélvica ou abdominal inferior, febre, secreção vaginal anormal, dispareunia e sangramento uterino irregular. Ao exame físico, pode haver dor à palpação abdominal, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial.

Quais são os critérios para internação hospitalar em casos de DIP?

A internação é indicada para pacientes com DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, abscesso tubo-ovariano suspeito), gestantes, pacientes imunocomprometidas, falha do tratamento ambulatorial, ou quando o diagnóstico é incerto e não se pode excluir apendicite ou gravidez ectópica.

Qual o esquema de antibioticoterapia parenteral recomendado para DIP grave?

Para DIP grave que requer internação, um esquema comum é Clindamicina (cobertura para anaeróbios) associada a Gentamicina (cobertura para gram-negativos). Outras opções incluem Cefoxitina ou Cefotetana com Doxiciclina, ou Ceftriaxona com Doxiciclina e Metronidazol.

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