USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Mulher de 25 anos de idade, nuligesta, ciclos menstruais regulares, uso de contraceptivo hormonal oral combinado, refere dor abdominal em hipogástrio há 2 dias, com piora progressiva, sem associação com micção ou evacuação. Última menstruação há 7 dias.Ao exame clínico apresenta-se descorada +/4+, hidratada, Temperatura axilar 37,9°C, frequência cardíaca 110 bpm, PA: 110/70mmHg, frequência respiratória 12 ipm, ausculta pulmonar e cardíaca normais, exame abdominal doloroso à palpação profunda de fossas ilíacas com descompressão brusca positiva em fossa ilíaca direita. Exame especular com conteúdo vaginal acinzentado e bolhoso em moderada quantidade, secreção amarelada pelo canal cervical; toque vaginal colo consistência amolecida, doloroso à mobilização, corpo uterino em anteversoflexão, doloroso à mobilização; regiões anexias dolorosas à palpação.Realiza-se swab cervical para avaliação diagnóstica. a) Considerando a principal hipótese diagnóstica, cite dois agentes associados a esta doença que podem ser identificados por PCR.b) Cite 2 complicações associadas a esta doença. c) Indica-se tratamento com cefalosporina. Qual é o mecanismo de ação deste antibiótico?
Dor à mobilização do colo + Febre + Corrimento cervical = DIP (Tratamento empírico imediato).
A DIP é uma síndrome clínica polimicrobiana ascendente. O diagnóstico é clínico, mas a identificação de patógenos por biologia molecular auxilia no tratamento direcionado e rastreio de parceiros.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) representa um espectro de processos inflamatórios do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, peritonite pélvica e abscesso tubo-ovariano. É uma das principais causas de morbidade ginecológica em mulheres jovens e sexualmente ativas. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em critérios mínimos como dor à palpação uterina, anexial ou à mobilização do colo uterino. O tratamento deve ser iniciado precocemente para prevenir sequelas reprodutivas. O esquema terapêutico deve cobrir N. gonorrhoeae, C. trachomatis e anaeróbios. A Ceftriaxona (dose única IM) associada à Doxiciclina (14 dias) e Metronidazol (14 dias) é o esquema ambulatorial padrão. A compreensão do mecanismo de ação dos fármacos e a identificação precisa dos agentes por PCR são fundamentais para o manejo epidemiológico e clínico adequado.
Os principais agentes são a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis. O teste de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT/PCR) é o padrão-ouro para detecção desses patógenos em amostras endocervicais ou vaginais devido à sua alta sensibilidade e especificidade, sendo superior à cultura e à bacterioscopia direta.
As complicações mais graves incluem a infertilidade por fator tubário (devido a cicatrizes e oclusão das trompas), o aumento do risco de gravidez ectópica, a dor pélvica crônica e a formação de abscessos tubo-ovarianos. Além disso, pode ocorrer a Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis, caracterizada por peri-hepatite com aderências em 'corda de violino'.
As cefalosporinas (como a Ceftriaxona, usada na DIP) são antibióticos beta-lactâmicos que atuam inibindo a síntese da parede celular bacteriana. Elas se ligam às proteínas fixadoras de penicilina (PBPs), impedindo a transpeptidação do peptideoglicano, o que leva à lise osmótica e morte da bactéria.
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