SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020
Mulher, 22 anos de idade, nulípara, solteira, encontra-se em Pronto Atendimento referindo desconforto em baixo ventre há três dias, associado à saída de secreção amarelada por via vaginal. Última menstruação há oito dias. Ao exame físico: paciente em bom estado geral, corada, T: 36,4ºC, eupneica, PA: 120X70mmHg, FC: 92bpm. Ausculta cardíaca e pulmonar: sem alterações. Abdome doloroso à palpação de hipogástrio, com sinal de descompressão brusca negativo, ruídos hidroaéreos presentes, sem visceromegalias. Exame especular: secreção amarelada de moderada quantidade, fluida e de odor fétido. Ao toque vaginal: colo fibroelástico, móvel, doloroso à mobilização, anexos palpáveis e dolorosos à palpação. Extremidades: sem edemas, bem perfundidas. Realizada ultrassonografia transvaginal que não evidenciou alterações. De acordo com o quadro descrito. indique a principal suspeita diagnóstica.
Dor à mobilização do colo + dor anexal + secreção purulenta = Doença Inflamatória Pélvica (DIP).
A DIP é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior, caracterizada por dor pélvica e sinais de inflamação cervical/anexal.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma das principais causas de morbidade em mulheres jovens, podendo levar a infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. Os principais agentes etiológicos são a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae, embora a flora possa ser polimicrobiana. O diagnóstico baseia-se na tríade clínica de dor abdominal inferior, dor anexal e dor à mobilização cervical. O tratamento deve ser iniciado precocemente para evitar sequelas, utilizando esquemas que cubram gonococo, clamídia e anaeróbios, como a combinação de Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol.
Os critérios maiores (mínimos) incluem dor no abdome inferior, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo uterino. A presença desses três achados em uma paciente sexualmente ativa ou com risco para ISTs é altamente sugestiva de DIP e autoriza o início do tratamento empírico.
A ultrassonografia transvaginal é útil para identificar complicações, como o abscesso tubo-ovariano (DIP estágio III), ou para excluir diagnósticos diferenciais como apendicite ou gravidez ectópica. No entanto, uma ultrassonografia normal não exclui DIP em estágios iniciais (estágios I e II).
A classificação de Monif divide a DIP em: Estágio I (salpingite aguda sem peritonite), Estágio II (salpingite com peritonite), Estágio III (salpingite com formação de abscesso tubo-ovariano) e Estágio IV (abscesso roto ou secreção purulenta generalizada).
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