UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Paciente de 35 anos foi recebida na emergência com quadro de dor pélvica importante iniciada há duas semanas e que foi piorando gradativamente. Referiu menstruações regulares e presença de secreção vaginal amarelada, em grande quantidade, nesse período. Ao exame clínico, havia febre alta, abdômen flácido com sinais de irritação peritoneal. As funções de eliminações não tinham alterações. O hemograma evidenciava leucocitose com desvio para esquerda. O diagnóstico provável para essa paciente é de:
Dor pélvica progressiva + febre + secreção vaginal purulenta + irritação peritoneal + leucocitose = DIP grave.
O quadro clínico de dor pélvica progressiva, febre alta, secreção vaginal purulenta, sinais de irritação peritoneal e leucocitose com desvio à esquerda é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) grave, que pode evoluir para peritonite pélvica.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba infecções do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, ooforite e peritonite pélvica. É uma condição comum, especialmente em mulheres jovens e sexualmente ativas, e pode ter consequências graves como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em uma combinação de sintomas e achados ao exame físico. O quadro clínico típico de DIP inclui dor pélvica de início recente ou progressivo, febre, secreção vaginal anormal (muitas vezes purulenta), dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Em casos mais graves, como o descrito na questão, pode haver sinais de irritação peritoneal, indicando uma extensão da infecção para a cavidade abdominal. A leucocitose com desvio para a esquerda no hemograma é um achado comum que corrobora a presença de um processo infeccioso bacteriano. O tratamento da DIP é essencialmente antibiótico, com esquemas que cobrem os principais agentes etiológicos, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, além de bactérias anaeróbias. A internação hospitalar é indicada para casos graves, como os com sinais de irritação peritoneal, febre alta, abscesso tubo-ovariano ou falha ao tratamento ambulatorial. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de dor pélvica aguda, como prenhez ectópica, torção de cisto ovariano e apendicite, mas a presença de febre e secreção vaginal purulenta direciona fortemente para DIP.
Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, secreção vaginal/cervical purulenta, leucocitose e elevação de PCR/VHS aumentam a probabilidade.
Os agentes mais comuns são bactérias sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, seguidas por microrganismos da flora vaginal, como bactérias anaeróbias e facultativas.
A DIP é uma infecção ascendente que pode progredir da cérvix para o útero (endometrite), tubas uterinas (salpingite) e ovários (ooforite), podendo extravasar para a cavidade peritoneal e causar peritonite pélvica, manifestada por sinais de irritação peritoneal.
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