Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Chlamydia trachomatis

São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 30 anos procura o Ginecologista com queixa de dor pélvica há 4 meses. Refere dor nas relações sexuais e nega corrimento. Ao toque, o Obstetra nota dor importante à mobilização de útero e anexos. O mais provável agente etiológico nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Gardnerella vaginalis.
  2. B) Trichomonas Vaginalis.
  3. C) Treponema pallidum.
  4. D) Chlamydia trachomatis.

Pérola Clínica

DIP: dor pélvica, dispareunia, dor à mobilização de útero/anexos. Chlamydia trachomatis é o agente mais comum.

Resumo-Chave

O quadro de dor pélvica crônica, dispareunia e dor à mobilização do útero e anexos é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A Chlamydia trachomatis é o agente etiológico mais comum da DIP, frequentemente cursando com sintomas mais insidiosos e ausência de corrimento, o que se encaixa perfeitamente na apresentação da paciente.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, afetando o útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição séria que pode levar a complicações como dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. A DIP é mais comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, sendo uma das principais causas de morbidade ginecológica. Os agentes etiológicos mais comuns da DIP são bactérias sexualmente transmissíveis, principalmente Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. A Chlamydia trachomatis é particularmente insidiosa, pois muitas vezes causa infecções assintomáticas ou com sintomas leves e atípicos, como dor pélvica e dispareunia, sem um corrimento vaginal evidente. Isso pode atrasar o diagnóstico e o tratamento, aumentando o risco de complicações a longo prazo. A dor à mobilização do colo uterino e anexos ao exame físico é um sinal clássico de DIP. O tratamento da DIP é empírico e deve ser iniciado o mais rápido possível para prevenir sequelas. Geralmente envolve uma combinação de antibióticos que cubram os principais patógenos, como ceftriaxona (para gonorreia) e doxiciclina (para clamídia), associados ou não a metronidazol. É fundamental tratar também os parceiros sexuais para evitar reinfecção. A educação sobre práticas sexuais seguras e o rastreamento de ISTs são medidas preventivas importantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os principais sinais e sintomas da DIP incluem dor pélvica (aguda ou crônica), dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino (sinal de Chadwick), dor à palpação anexial, febre, corrimento vaginal e dispareunia.

Qual é o agente etiológico mais comum da Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

A Chlamydia trachomatis é o agente etiológico mais comum da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), sendo responsável por uma parcela significativa dos casos. Outros agentes incluem Neisseria gonorrhoeae e bactérias da flora vaginal.

Por que a Chlamydia trachomatis pode causar DIP sem corrimento evidente?

A infecção por Chlamydia trachomatis é frequentemente assintomática ou oligossintomática, o que significa que pode causar uma inflamação ascendente para o trato genital superior (endometrite, salpingite) sem necessariamente produzir um corrimento vaginal abundante ou característico, tornando o diagnóstico mais desafiador.

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