DIP: Quando Indicar Tratamento Hospitalar?

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Mulher com 30 anos de idade, nulípara, última menstruação há sete dias, usuária de anticoncepcional hormonal combinado, relata dor em baixo ventre, de forte intensidade. A dor é acompanhada de náuseas e vômitos, tendo o quadro se iniciado há quatro dias, com piora significativa nas últimas 12 horas. Ao exame físico, pressão arterial =110 x 70 mmHg, temperatura = 38,7°C, abdome com dor intensa à palpação no andar inferior e à descompressão brusca em fossas ilíacas. Ao exame especular, presença de conteúdo amarelado com um pouco de sangue e conteúdo purulento exteriorizando-se pelo orifício do colo uterino. Toque vaginal evidenciando dor à mobilização uterina e à palpação dos anexos, bilateralmente. Sobre a conduta indicada para a situação descrita, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Faz-se necessária a presença de leucocitose e velocidade de hemossedimentação elevada para confirmação diagnóstica.
  2. B) Faz-se necessária a identificação do agente etiológico na secreção cervical antes de iniciar o tratamento medicamentoso.
  3. C) A paciente deve ser encaminhada para tratamento em ambiente hospitalar.
  4. D) O tratamento inicial deve ser cirúrgico para melhor avaliar o comprometimento do sistema reprodutivo.
  5. E) Deve ser instituído o tratamento clínico ambulatorial de imediato, com retorno em 48 horas para reavaliação.

Pérola Clínica

DIP + Febre + Vômitos + Descompressão brusca (+) → Internação hospitalar.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) com sinais de irritação peritoneal ou sintomas sistêmicos graves exige tratamento hospitalar imediato com antibioticoterapia parenteral.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior, comprometendo endométrio, trompas, ovários e peritônio pélvico. É uma das principais causas de morbidade em mulheres jovens, podendo levar a sequelas graves como infertilidade por fator tubário, dor pélvica crônica e aumento do risco de gravidez ectópica. A classificação de Monif ajuda a guiar a conduta: Grau I (DIP não complicada), Grau II (DIP com peritonite), Grau III (DIP com abscesso tubo-ovariano) e Grau IV (Abscesso roto ou choque séptico). Pacientes a partir do Grau II geralmente necessitam de internação. O manejo deve ser agressivo e precoce, pois o atraso no tratamento está diretamente relacionado à perda da função tubária. Além do tratamento da paciente, é mandatório o rastreio e tratamento dos parceiros sexuais recentes para prevenir a reinfecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de internação para pacientes com DIP?

A internação hospitalar para tratamento de DIP está indicada em situações de gravidade ou incerteza diagnóstica. Os principais critérios incluem: estado geral grave (náuseas, vômitos, febre alta), sinais de irritação peritoneal (descompressão brusca positiva), suspeita de abscesso tubo-ovariano, gravidez, impossibilidade de seguimento ou intolerância ao tratamento oral, e falha do tratamento ambulatorial após 72 horas. No caso clínico apresentado, a paciente apresenta febre elevada (38,7°C), vômitos e sinais de peritonite (descompressão brusca), o que classifica o quadro como Monif Grau II ou III, exigindo estabilização e medicação endovenosa imediata.

Como é feito o diagnóstico clínico da DIP?

O diagnóstico da DIP baseia-se em critérios clínicos. Os critérios maiores (mínimos) incluem dor no abdome inferior, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo uterino. Os critérios menores (adicionais) que aumentam a especificidade incluem febre (>38,3°C), secreção endocervical anormal (purulenta), massa pélvica, leucocitose no hemograma e elevação de marcadores inflamatórios (PCR ou VHS). A presença de três critérios maiores e um menor é altamente sugestiva. Exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética são úteis para identificar complicações como coleções purulentas ou hidrossalpinge.

Qual o esquema antibiótico recomendado para tratamento hospitalar?

O tratamento hospitalar visa cobrir Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e anaeróbios. O esquema clássico envolve Ceftriaxone 1g IV uma vez ao dia, associado a Doxiciclina 100mg VO ou IV a cada 12 horas e Metronidazol 400mg IV a cada 12 horas. Outra opção é a Clindamicina 900mg IV a cada 8 horas associada à Gentamicina (dose de ataque de 2mg/kg e manutenção de 1,5mg/kg a cada 8 horas). A transição para a via oral pode ser feita após 24-48 horas de melhora clínica significativa, completando-se o ciclo total de 14 dias de tratamento.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo