DIP e Fatores de Risco: Diagnóstico e Manejo Clínico

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 24 anos de idade, nuligesta, deu entrada no pronto-socorro com queixa, há 3 dias, de dor pélvica intensa e leucorreia de odor fétido. Método contraceptivo: dispositivo intrauterino (DIU) de cobre há 2 anos. Refere vida sexual ativa, com múltiplos parceiros. Ao exame: REG, PA 110 x 60 mmHg, frequência cardíaca = 120 batimentos/minuto, temperatura axilar = 38°C. Especular: secreção amarelada de odor fétido, saindo por orifício externo do colo, sem sangramentos. Fio de DIU visível. Toque vaginal: dor intensa à mobilização do colo uterino. Ao toque bimanual, presença de massa palpável em região anexial esquerda. Quais são os fatores de risco, considerando-se o diagnóstico da paciente?

Alternativas

  1. A) Infecção por HPV
  2. B) Nuliparidade
  3. C) Idade acima de 18 anos
  4. D) Dispositivo intrauterino

Pérola Clínica

Dor à mobilização do colo + febre + massa anexial = DIP (estágio III/IV) → Internação.

Resumo-Chave

A DIP é uma infecção ascendente. O DIU aumenta o risco de infecção nos primeiros 20 dias pós-inserção e facilita a ascensão bacteriana em pacientes com múltiplos parceiros.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) representa um espectro de processos inflamatórios que acometem o trato genital superior. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino, sendo os agentes mais comuns a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios maiores (dor infraumbilical, dor anexial e dor à mobilização do colo) e menores (febre, leucocitose, secreção cervical anormal). A classificação de Monif guia a conduta: o estágio I pode ser tratado ambulatorialmente, enquanto os estágios II (peritonite), III (abscesso tubo-ovariano) e IV (abscesso roto) exigem hospitalização.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para DIP?

Os principais fatores de risco incluem idade jovem (geralmente < 25 anos), múltiplos parceiros sexuais, histórico prévio de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), não uso de preservativos e a inserção recente (últimos 20 dias) de dispositivo intrauterino (DIU). Embora o DIU de cobre não cause a infecção per se, ele pode atuar como um facilitador para a ascensão de patógenos como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis em mulheres com comportamento de risco para ISTs.

Quando suspeitar de abscesso tubo-ovariano na DIP?

A suspeita clínica ocorre quando a paciente apresenta os critérios clássicos de DIP (dor pélvica, dor à mobilização cervical e anexial) associados à palpação de uma massa anexial dolorosa ao toque bimanual ou evidência ultrassonográfica de coleção complexa em anexos. Clinicamente, essas pacientes costumam apresentar sinais de gravidade, como febre alta, leucocitose importante e sinais de irritação peritoneal, classificando-se como Monif III ou IV.

Qual o manejo inicial para DIP com massa anexial?

Pacientes com DIP e massa anexial palpável (Abscesso Tubo-Ovariano) devem ser obrigatoriamente internadas para tratamento com antibioticoterapia parenteral de amplo espectro (ex: Ceftriaxone + Doxiciclina + Metronidazol). A drenagem cirúrgica ou por radiologia intervencionista é reservada para casos de ruptura do abscesso, instabilidade hemodinâmica ou falha do tratamento clínico após 48 a 72 horas de terapia venosa.

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