DIP Estágio III: Diagnóstico e Manejo do Abscesso Tubo-Ovariano

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Clarice, 24 anos, nuligesta, comparece à unidade de pronto atendimento com queixa de dor pélvica persistente há 5 dias, com piora importante nas últimas 24 horas, associada a calafrios e secreção vaginal amarelada. Relata vida sexual ativa com novo parceiro há 2 meses e uso inconsistente de preservativos. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, desidratada (+/4+), febril (38,6 °C), com frequência cardíaca de 102 bpm e pressão arterial de 110x70 mmHg. O exame abdominal revela dor intensa à palpação profunda em hipogástrio, com sinal de descompressão brusca dolorosa negativo. No exame especular, observa-se colo uterino hiperemiado com saída de secreção purulenta pelo orifício externo. Ao toque bimanual, nota-se dor excruciante à mobilização do colo uterino e palpação de massa anexial à direita, de aproximadamente 6 cm, dolorosa e de limites imprecisos. A ultrassonografia transvaginal evidencia útero de dimensões normais, endométrio de 8 mm e uma formação complexa em anexo direito, com paredes espessas e debris internos, sugerindo abscesso tubo-ovariano, além de pequena quantidade de líquido livre em fundo de saco de Douglas. Considerando o quadro clínico e os critérios de classificação, qual o diagnóstico e a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Doença Inflamatória Pélvica estágio III de Monif; internação hospitalar para antibioticoterapia endovenosa.
  2. B) Abscesso tubo-ovariano roto; estabilização hemodinâmica seguida de colpotomia posterior para drenagem de secreção purulenta.
  3. C) Doença Inflamatória Pélvica estágio IV de Monif; indicação de laparotomia exploradora imediata para drenagem e salpingectomia.
  4. D) Doença Inflamatória Pélvica estágio II de Monif; tratamento ambulatorial com ceftriaxona dose única e doxiciclina por 14 dias.

Pérola Clínica

DIP + Massa anexial (abscesso íntegro) = Monif III → Internação + ATB parenteral.

Resumo-Chave

A presença de abscesso tubo-ovariano (Monif III) exige tratamento hospitalar com antibioticoterapia endovenosa para cobertura de gram-negativos, anaeróbios e clamídia.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior. A classificação de Monif é fundamental para guiar a conduta: Estágio I (salpingite sem peritonite), Estágio II (salpingite com peritonite), Estágio III (abscesso tubo-ovariano íntegro) e Estágio IV (abscesso roto ou secreção purulenta generalizada). No caso de abscesso tubo-ovariano (Monif III), a internação é mandatória. O tratamento inicial é clínico com antibióticos de amplo espectro. A intervenção cirúrgica ou drenagem guiada por imagem fica reservada para casos de ruptura (emergência), instabilidade hemodinâmica ou falta de resposta ao tratamento clínico em 48-72 horas.

Perguntas Frequentes

O que define o estágio III de Monif na DIP?

O estágio III de Monif é caracterizado pela presença de Doença Inflamatória Pélvica associada à formação de um abscesso tubo-ovariano íntegro. Clinicamente, a paciente apresenta dor pélvica, sinais inflamatórios (febre, leucocitose) e a palpação ou imagem (USG/TC) revela uma massa anexial complexa.

Quais são os critérios de internação para DIP?

Os critérios incluem: suspeita de emergência cirúrgica (ex: apendicite), abscesso tubo-ovariano, gravidez, náuseas/vômitos que impedem medicação oral, febre alta, sinais de peritonite, ou falha no tratamento ambulatorial após 72 horas.

Qual o esquema antibiótico hospitalar padrão para DIP?

O esquema clássico envolve Ceftriaxona 1g IV ao dia + Doxiciclina 100mg VO/IV a cada 12h + Metronidazol 400mg IV a cada 12h. Outra opção comum é Clindamicina + Gentamicina, especialmente se houver suspeita de anaeróbios resistentes ou abscesso.

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