SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2015
Uma mulher de 28 anos foi ao médico por apresentar febre, dor pélvica e sensação de peso pélvico há uma semana. O exame ginecológico indica a presença de massa anexial à esquerda, palpável. A laparoscopia mostrou tuba uterina à esquerda, indistinta, que faz parte da massa de coloração bronze-avermelhada, circunscrita de 5,0 cm, envolvendo a região anexial esquerda. Após o anatomopatológico da peça cirúrgica, acompanhado de cultura, qual agente etiológico, epidemiologicamente em nosso meio, é o mais provável para o caso?
DIP com massa anexial em jovem → Chlamydia trachomatis é etiologia comum e causa sequelas.
A Chlamydia trachomatis é a principal causa bacteriana de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e suas sequelas, como salpingite crônica e formação de massa anexial, devido à sua capacidade de causar inflamação subclínica e progressiva.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o superior, afetando útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, com alta morbidade e sequelas importantes. A epidemiologia no Brasil, assim como globalmente, aponta a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae como os principais agentes etiológicos bacterianos, sendo a Chlamydia frequentemente associada a quadros mais insidiosos e com maior risco de sequelas crônicas, como a formação de massas anexiais e infertilidade. O diagnóstico da DIP é clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. A presença de massa anexial, como descrito no caso, sugere um quadro mais avançado, possivelmente um abscesso tubo-ovariano ou salpingite crônica. A Chlamydia trachomatis é particularmente insidiosa, pois muitas infecções são assintomáticas, permitindo a progressão da doença e o desenvolvimento de danos tubários irreversíveis. A laparoscopia é um método diagnóstico e terapêutico que permite visualizar as lesões e coletar material para cultura e anatomopatológico, confirmando a natureza inflamatória da massa. O tratamento da DIP envolve antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo os principais patógenos. Em casos de massa anexial ou abscesso, pode ser necessária drenagem cirúrgica. A prevenção de ISTs e o rastreamento de Chlamydia em populações de risco são cruciais para reduzir a incidência de DIP e suas complicações. O prognóstico está diretamente relacionado à precocidade do diagnóstico e tratamento, sendo as sequelas como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica as principais preocupações a longo prazo.
Os sinais e sintomas incluem dor pélvica, febre, dispareunia, corrimento vaginal e, ao exame, dor à mobilização do colo e massa anexial palpável, que pode ser um abscesso tubo-ovariano.
A Chlamydia trachomatis é relevante por sua alta prevalência, natureza assintomática inicial e capacidade de causar inflamação crônica e danos tubários significativos, levando a sequelas como infertilidade e dor pélvica crônica.
A diferenciação envolve a história clínica (idade, fatores de risco para IST, sintomas infecciosos), exames laboratoriais (PCR, VHS, leucocitose), ultrassonografia pélvica e, em alguns casos, laparoscopia diagnóstica com biópsia e cultura para confirmação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo