Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Mulher de 22 anos vem ao pronto atendimento com dor pélvica que apareceu após a última menstruação, de forte intensidade há 4 dias. Não apresenta sintomas gastrointestinais associados. Tem vida sexual ativa e refere parceiro único e, como método contraceptivo, usa DIU de cobre. Menstruação regular, sem atrasos. Ao exame físico, observa-se que a paciente está corada e subfebril (axilar = 37,7 oC). Ausculta cardiopulmonar normais. Abdome doloroso e com rigidez abdominal. Toque vaginal: dor a mobilização cervical.Dentre os exames solicitados, tem-se os seguintes resultados:BHcG negativo.Hb 12/ Ht 36.Leucócitos 13 000 leucócitos/mL.PCR 4 mg/dL.Pelo quadro exposto, qual a principal hipótese diagnóstica?
Dor pélvica aguda + dor à mobilização cervical (Chandelier) + febre/leucocitose em mulher jovem sexualmente ativa = Doença Inflamatória Pélvica (DIP) até prova em contrário.
O diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é eminentemente clínico, baseado em critérios mínimos como dor pélvica, dor à palpação de anexos e/ou dor à mobilização do colo uterino. A presença de febre, leucocitose e PCR elevada são critérios adicionais que aumentam a especificidade do diagnóstico.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica inflamatória do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, ooforite e peritonite pélvica. É geralmente causada por uma infecção ascendente a partir da vagina e do colo do útero, sendo Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae os agentes etiológicos mais comuns. O diagnóstico é primariamente clínico, e um alto índice de suspeita é necessário para evitar atrasos que podem levar a sequelas graves, como infertilidade, dor pélvica crônica e aumento do risco de gravidez ectópica. Os critérios do CDC (Centers for Disease Control and Prevention) auxiliam no diagnóstico, que se baseia na presença de dor pélvica e dor no exame bimanual (mobilização cervical, palpação uterina ou anexial). A febre, leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios como a PCR corroboram a hipótese. Fatores de risco incluem idade jovem, múltiplos parceiros sexuais, história de ISTs e instrumentação uterina. O uso de DIU, especialmente nos primeiros 20 dias após a inserção, é um fator de risco conhecido. O quadro clínico apresentado na questão, com dor pélvica, febre, leucocitose e dor à mobilização cervical em uma usuária de DIU, é altamente sugestivo de DIP, tornando esta a principal hipótese diagnóstica.
Os critérios mínimos são a presença de dor no abdome inferior ou pélvica em uma mulher com risco para ISTs, associada a um ou mais dos seguintes achados no exame pélvico: dor à mobilização do colo uterino, dor à palpação uterina ou dor à palpação anexial.
O tratamento visa cobrir os patógenos mais comuns (gonococo, clamídia, anaeróbios). Um regime comum é Ceftriaxona 500mg IM em dose única, associado a Doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 dias, com ou sem Metronidazol 500mg VO 12/12h por 14 dias.
A principal diferença é o resultado do teste de gravidez (BHCG), que é negativo na DIP e positivo na gestação ectópica. Além disso, a DIP cursa com sinais infecciosos (febre, leucocitose, corrimento purulento), enquanto a ectópica está mais associada a sangramento vaginal e sinais de instabilidade hemodinâmica se rota.
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